Petrolatos: Os derivados de petróleo nos cosméticos

Os petrolatos presentes nos cosméticos

O que são petrolatos?

Os petrolatos são derivados de petróleo, obtidos através da desparafinação do petróleo bruto. É uma substância gelatinosa incolor ou amarelada que é muito utilizada na indústria de cosméticos e dos produtos para o cabelo, devido ao seu baixo custo.

Muito utilizado como emoliente, ele forma um filme que repele a água na área em que foi aplicado, formando uma barreira contra a evaporação da umidade natural da pele e contra microorganismos que possam causar uma infecção. Ou seja, os petrolatos não têm valor nutricional e não hidratam a pele de fato, apenas formam uma barreira contra a perda de umidade.

Durante muitos anos acreditou-se que os petrolatos pudessem obstruir os poros e serem os  grandes causadores da acne, porém estudos mais recentes apontam os petrolatos como não comedogênicos, não obstruindo os poros e não causando então malefícios à nossa pele. 

De qualquer maneira o Madesafe, um selo de produtos não-tóxicos americano, inclui os petrolatos na sua lista de “proibidos”. Os motivos são que os petrolatos podem ser contaminados durante o seu processo de refinamento por Hidrocarbonetos Aromáticos Policíclicos (HAPs) que são suspeitos de causar câncer pelo IARC (International Agency for Research on Cancer).

Ou seja, quando refinado de maneira correta, o petrolato não tem problemas de segurança. A União Européia já está na frente e exige que os fabricantes de cosméticos provem que o processo de refinamento do petrolato usado em seus produtos é não-carcinogênico. Os Estados Unidos e o Brasil ainda não tem nenhuma legislação sobre isso.

E também é necessário acrescentar que ele pode ser altamente tóxico e alergênico para quem trabalha com a exploração do produto.

Petrolatos e o impacto ambiental

Tartaruga marinha coberta de petróleo derramado no oceano
Os impactos ambientais da extração de petróleo

A extração de petróleo por si só já causa grandes impactos ao meio ambiente, além de ser uma fonte não renovável. Quando presente em ambiente aquoso pode ser ingerido por animais ou mesmo poluir as águas pois ele forma uma camada de microplástico, já que não são solúveis em água.

Portanto, não são biodegradáveis e estão ligados à uma poluição invisível que agride toda a vida marinha.

Onde encontramos e seus vários nomes

Os petrolatos são comumente encontrados em produtos para os cabelos, loções e hidratantes corporais, batons e balms labiais, filtro e protetores, entre outros. Abaixo listamos os nomes que podem aparecer no rótulo de seus cosméticos e que nada mais são que petrolatos. 

MINERAL OIL

PARAFFIN

PARAFFINUM LIQUIDUM

PETROLATUM

RED PETROLATUM

C10-11 ISOPARAFFIN

C13-14 ISOPARAFFIN

C13-16 ISOPARAFFIN

C15-35 ISOPARAFFIN/ISOALKYLCYCLOALKANES

C18-50 ISOPARAFFIN

C18-70 ISOPARAFFIN

C20-40 ISOPARAFFIN

CHLORINATED PARAFFIN

BETA-METHYL-CYCLODODECANEETHANOL

DIISOCETYL DODECANEDIOATE

DIOCTYLDODECYL DODECANEDIOATE

DODECANE

DODECANEDIOIC ACID

DODECANEDIOIC ACID/CETEARYL ALCOHOL/GLYCOL COPOLYMER

DODECANENITRILE

EPOXYCYCLODODECANE

ETHYLENE DODECANEDIOATE

ISODODECANE

METHOXYCYCLODODECANE

TETRAMETHYL-5-OXATRICYCLODODECANE

C7-8 ISOPARAFFIN

C8-9 ISOPARAFFIN

C9-13 ISOPARAFFIN

C9-14 ISOPARAFFIN

C9-16 ISOPARAFFIN

C10-13 ISOPARAFFIN

Alternativa consciente

A boa notícia nós deixamos pro final. Felizmente temos alternativas ao uso de petrolatos, como utilizar manteigas e óleos vegetais, que apesar de serem mais caros e difíceis de produzir em larga escala, são ricos em ácidos graxos, hidratam, proporcionam efeitos terapêuticos, são seguros e conferem funcionalidades à fórmula.

Deixamos então uma reflexão para você: 

Porque optar por produtos que contenham petrolatos e que possivelmente possam estar contaminados, se os mesmos não têm valor nutricional e trazem riscos à nossa saúde e ao meio ambiente?

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Microplástico: Um grande problema

O microplástico presente nos cosméticos é um grande poluente dos oceanos.

A população brasileira é a quarta maior consumidora de cosméticos no mundo, ficando atrás somente dos Estados Unidos, China e Japão. Todos os anos são produzidas 120 bilhões de embalagens de cosméticos, em sua maioria absoluta de plástico, que serão utilizadas apenas uma única vez e depois descartadas. Mas infelizmente, o plástico dos cosméticos não está presente apenas nas embalagens.

Muitos dos nossos cosméticos do dia-a-dia contêm microplásticos, que são microesferas que podem variar de 1 a 5 mm e são os principais poluentes dos oceanos, mares e rios. Nos rótulos das embalagens, eles aparecem com os nomes “polyethylene”, “polypropylene”, “polietileno tereftalato” ou “nylon”, e são encontrados em pastas de dentes, xampus, sabonetes, hidratantes e principalmente nos esfoliantes.

O grande problema reside no fato de que esse microplástico do seu cosmético – que é extremamente poluente – escorre pelo ralo quando você lava sua pele e por serem muito pequenos e flutuarem, não são retidos nas estações de tratamento de esgotos, e acabam parando nos mares, rios, lagos e oceanos, contaminando a fauna marinha. Pequenos crustáceos e peixes se alimentam desses poluentes, que ainda por cima absorvem metais pesados e pesticidas, que quando não os matam asfixiados, podem parar na nossa mesa em forma de alimento. Porque há uma reação em cadeia nesse processo: a ave come o peixe maior que comeu o menor que havia ingerido microplástico, e assim a contaminação se expande e retorna para nós, consumidores de cosméticos que geramos essa poluição. Essa capacidade do microplástico absorver substâncias químicas perigosas podem levar a distúrbios hormonais e até estar associado a alguns tipos de câncer. Bem ruim, não é?

Mas nem tudo está perdido

Antecipando-se a uma possível proibição no Brasil, as indústrias de cosméticos, higiene pessoal e perfumaria assumiram um compromisso voluntário de eliminar o uso dos micropartículas plásticas sólidas insolúveis (MPSIS) até 2021, substituindo-as por produtos biodegradáveis.

A gama de ingredientes sustentáveis que podem substituir as micropartículas plásticas, sem afetar o desempenho do produto, inclui matérias primas derivadas de sementes (maracujá, castanhas, jojoba e kiwi), derivados de celulose (açúcar e o bamboo), frutos secos, como nozes ou amêndoas, que são moídos em tamanhos diferentes para se adaptar a diferentes produtos e efeitos, e até mesmo quitina e carbonato de cálcio a partir de resíduos de crustáceos.

Reino Unido, França, EUA e, mais recentemente, o Japão, já adotam medidas para proibir ou inibir os usos destes ingredientes em produtos cosméticos e de higiene pessoal. Essa proibição já se tornou uma tendência mundial, e no Brasil há um projeto de Lei nº 6528 de 2016, que trata de proibir o uso de microplásticos em cosméticos e produtos de higiene. O PL foi aprovado por unanimidade em novembro de 2018 na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços (CDEICS) da Câmara dos Deputados e agora encontra-se na pauta da Comissão de Constituição e Justiça e De Cidadania (CCJC).

Felizmente temos muitas alternativas ao uso do microplástico e podemos consumir cosméticos que já não contém esses ingredientes tão poluentes. Opte pelos cosméticos e produtos naturais, que não agridem o meio ambiente e cuidam e tratam da sua pele tão ou até mais eficientemente que os cosméticos tradicionais.

Consuma com consciência e elimine o microplástico da sua vida! A natureza agradece, e as próximas gerações também!

Fontes de consulta: eCycle e Exame

21 Atitudes Para Consumir com Consciência

Antes de fazer uma compra, todo consumidor responsável deve se fazer essas seis perguntas:

  1. Porque comprar?
  2. O que comprar?
  3. Como comprar?
  4. De quem comprar?
  5. Como usar?
  6. Como descartar?

E já que estamos falando em Consumo Consciente, que tal você leitor colocar em prática algumas dicas para consumir de maneira mais sustentável? Confira!

1.Planeje suas compras.
Não seja impulsivo nas compras. A impulsividade é inimiga do consumo consciente. Planeje antecipadamente e, com isso, compre menos e melhor.

2. Avalie os impactos de seu consumo.
Leve em consideração o meio ambiente e a sociedade em suas escolhas de consumo.

3. Consuma apenas o necessário.
Reflita sobre suas reais necessidades e procure viver com menos.

4.Reutilize produtos e embalagens.
Não compre outra vez o que você pode consertar, transformar e reutilizar.

5.Separe seu lixo.
Recicle e contribua para a economia de recursos naturais, a redução da degradação ambiental e a geração de empregos.

6.Use crédito conscientemente.
Pense bem se o que você vai comprar a crédito não pode esperar e esteja certo de que poderá pagar as prestações.

7.Conheça e valorize as práticas de responsabilidade social das empresas.
Em suas escolhas de consumo, não olhe apenas preço e qualidade do produto. Valorize as empresas em função de sua responsabilidade para com os funcionários, a sociedade e o meio ambiente.

8. Não compre produtos piratas ou contrabandeados.
Compre sempre do comércio legalizado e, dessa forma, contribua para gerar empregos estáveis e para combater o crime organizado e a violência.

9. Contribua para a melhoria de produtos e serviços.
Adote uma postura ativa. Envie às empresas sugestões e críticas construtivas sobre seus produtos e serviços.

10. Divulgue o consumo consciente.
Seja um militante da causa: sensibilize outros consumidores e dissemine informações, valores e práticas do consumo consciente. Monte grupos para mobilizar seus familiares, amigos e pessoas mais próximas.

11.   Cobre dos políticos.
Exija de partidos, candidatos e governantes propostas e ações que viabilizem e aprofundem a prática de consumo consciente.

12.  Reflita sobre seus valores.
Avalie constantemente os princípios que guiam suas escolhas e seus hábitos de consumo.

Nós ainda acrescentamos outras atitudes que podem contribuir para a sua missão de consumir com consciência:

13. Leia atentamente os rótulos antes de comprar algum produto.

 Sempre que possível, utilize produtos naturais e evite consumir produtos com derivados de petróleo.

14. Use o verso das folhas de papel, sempre que possível.

15. Feche a torneira enquanto escova os dentes.

 Se você não o fizer, pode gastar em média 25 litros de água. Um grande desperdício de recursos naturais, quando sabemos que menos da metade da população mundial tem acesso à água potável.

16. Reduza o tempo do seu banho.

Pela redução do consumo de água e de energia elétrica.

17.  Evite deixar lâmpadas acesas em ambientes desocupados.

Também tenha o hábito de desligar os equipamentos eletrônicos das tomadas, pois mesmo desligados ainda consomem energia. Economize energia.

18. Opte por comprar produtos feitos com material reciclado.

19. Opte por comprar produtos orgânicos.

Assim, você preserva sua saúde e a de sua família ao não consumir produtos químicos tóxicos.

20.  Prefira fazer suas compras no comércio do seu bairro.

 Assim você incentiva os pequenos negócios e ajuda na geração de renda de sua comunidade.

21. Peça sempre a nota fiscal de suas compras.

Você garante que não está comprando produtos pirateados (e incentivando o crime organizado), e que o comerciante está trabalhando de acordo com as normas tributárias legais. Porque o ICMS arrecadado pelos Estados nas vendas comerciais é destinado para as políticas públicas sociais de educação, saúde e segurança.

Gostou desse tema? Esse outro post pode lhe interessar: https://blogdaterra.com.br/2020/05/06/consumo-consciente-uma-necessidade-imediata/

FONTE: Instituto Akatu e CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável)

Consumo Consciente: Uma Necessidade Imediata

A humanidade já consome 30% mais recursos naturais do que a capacidade de renovação da Terra. Se os padrões de consumo e produção se mantiverem no atual patamar, em menos de 50 anos serão necessários dois planetas Terra para atender nossas necessidades de água, energia e alimentos. Não é preciso dizer que esta situação certamente ameaçará a vida no planeta, inclusive da própria humanidade.

A melhor maneira de mudar isso é a partir das escolhas de consumo.

Todo consumo causa impacto (positivo ou negativo) na economia, nas relações sociais, na natureza e em você mesmo. Ao ter consciência desses impactos na hora de escolher o que comprar, de quem comprar e definir a maneira de usar e como descartar o que não serve mais, o consumidor pode maximizar os impactos positivos e minimizar os negativos, desta forma contribuindo com seu poder de escolha para construir um mundo melhor. Isso é Consumo Consciente. Em poucas palavras, é um consumo com consciência de seu impacto e voltado à sustentabilidade.O consumo consciente é uma questão de hábito: pequenas mudanças em nosso dia-a-dia têm grande impacto no futuro.

 QUEM É O CONSUMIDOR CONSCIENTE?

O consumidor consciente é aquele que leva em conta, ao escolher os produtos que compra, o meio ambiente, a saúde humana e animal, as relações justas de trabalho, além de questões como preço e marca.

O consumidor consciente sabe que pode ser um agente transformador da sociedade por meio do seu ato de consumo. Sabe que os atos de consumo têm impacto e que, mesmo um único indivíduo, ao longo de sua vida, produzirá um impacto significativo na sociedade e no meio ambiente. Por meio de cada ato de consumo, o consumidor consciente busca o equilíbrio entre a sua satisfação pessoal e a sustentabilidade, maximizando as consequências positivas e minimizando as negativas de suas escolhas de consumo, não só para si mesmo, mas também para as relações sociais, a economia e a natureza. O consumidor consciente também procura disseminar o conceito e a prática do consumo consciente, fazendo com que pequenos gestos realizados por um número muito grande de pessoas promovam grandes transformações.

Além disso, o consumidor consciente valoriza as iniciativas de responsabilidade sócio ambiental das empresas, dando preferência às companhias que mais se empenham na construção da sustentabilidade por meio de suas práticas cotidianas.

O consumo consciente pode ser praticado no dia-a-dia, por meio de gestos simples que levem em conta os impactos da compra, uso ou descarte de produtos ou serviços, ou pela escolha das empresas da qual comprar, em função de seu compromisso com o desenvolvimento sócio ambiental. Assim, o consumo consciente é uma contribuição voluntária, cotidiana e solidária para garantir a sustentabilidade da vida no planeta.

FONTE: Ministério do Meio Ambiente