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Quer ter uma ideia do que será o novo acordo climático? Veja o acordo de Pequim


O mundo aguarda a COP-15, que será realizada em Copenhaguem dentro de alguns dias, para saber se os países conseguirão ao menos esboçar um acordo climático suficientemente ambicioso e sólido para evitar o pior em termos de mudanças climáticas. Para os que não aguentam esperar as longas negociações a respeito do assunto, vale a pena dar uma olhada nos termos do acordo que os dois maiores sujismundos do planeta assinaram ontem em Pequim.

Os dois países assinaram um acordo bilateral relacionado ao desenvolvimento de fontes limpas de energia. Este é o nome que foi dado ao acordo, o que não quer dizer que ele realmente signifique aquilo que o título diz, como frequentemente acontece na política.

Os dois países firmaram parcerias em sete áreas (clique nos links para ver o fact-sheet de cada projeto, em PDF, em inglês):

:: Centro de Pesquisas de Energias Limpas EUA-China: os dois países se comprometeram a investir pelo menos US$ 150 milhões ao longo dos próximos cinco anos em um centro de pesquisas que reunirá cientistas dos dois países na mesma bancada de laboratório, ou, ao menos, debruçados sobre o mesmo problema. As três áreas prioritárias inicialmente serão: eficiência energética, “carvão limpo”, incluindo a tecnologia de captura e sequestro de carbono, e veículos limpos.

:: Iniciativa de veículo elétrico EUA-China: o objetivo aqui é desenvolver padrões para veículos elétricos, desenvolver testes em mais de uma dúzia de cidades, definir um planejamento técnico para o desenvolvimento dos carros elétricos e o desenvolvimento de projetos educacionais voltados ao público.

:: Plano de ação para eficiência energética EUA-China: os dois países vão trabalhar em conjunto para desenvolver e melhoro o padrão de consumo de construções, plantas industriais e aparelhos elétricos. Entre os objetivos está o desenvolvimento de códigos para construções eficientes energeticamente, treinamento de auditores e técnicos para aplicar o código, harmonização de testes de eficiência energética para produtos destinados a consumidores finais, entre outras medidas.

:: Parceria EUA-China em energia renovável: o objetivo principal é desenvolver um planejamento para o uso em larga escala de energias renováveis nos dois países, com o estímulo da cooperação entre cientistas das duas nacionalidades e também estímulo à troca de informações relacionadas às políticas públicas na área. esta parceria também prevê um grupo de trabalho para o desenvolvimento de uma rede de transmissão de energia mais moderna nos dois países.

:: Carvão do século XXI: os dois países irão fazer esforços conjuntos para desenvolver mecanismos de captura e sequestro de carbono para usinas de geração de eletricidade movidas à carvão. O projeto também prevê o desenvolvimento de novas tecnologias para estas usinas que aumentem a eficiência energética das mesmas, como a técnica conhecida como IGCC (integrated gasification combined cycle).

:: Iniciativa de gás de xisto: os EUA irão ajudar a China a calcular o potencial de de uso de gás de xisto no páis com base nos avanços recentes desta tecnologia desenvolvidos nos Estados Unidos.

:: Programa de cooperação energética EUA-China (não há fact sheet para este item): o programa terá como objetivo obter recursos privados para o desenvolvimento de projetos na China que seja m de interesses dos dois países. Mais de 22 empresas são sócias fundadores do programa que irá atuar nas áreas de energias renováveis, redes inteligentes (smart grid) transporte limpo, construções verdes, “carvão limpo”, eficiência energética, entre outros.

Como pode se ver, vários tópicos dizem respeito ao carvão. O combustível fóssil mais sujo que existe é fundamental para os dois países. Tanto porque ambos dispõem de imensas reservas, como pelo simples fato de que hoje 50% da eletricidade dos EUA e 80% da chinesa é gerada a partir do carvão.

Por mais que seja difícil engulir o carvão como projeto de energia limpa, o esforço é válido, porque como já dissemos há um bom tempo aqui, é preciso fazer com que o carvão se torne mais limpo porque simplesmente não dá para abrir mão dele no curto prazo.

E quando os dois maiores produtores e consumidores de energia do mundo e também os maiores emissores de gases de efeito estufa fazem um acordo desses, é praticamente impossível ignorar alguns desses esforços dentro de uma proposta de acordo climático. Goste-se ou não.

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Este post foi publicado quinta-feira, 19 de novembro de 2009 às 22:06 e colocado na categoria Ciência e Tecnologia, Conexões, Energia, Geral, Uso da Terra. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo. Pinging não é possível neste post.

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