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nov
O resfriamento do aquecimento global
Não, este post não é sobre uma solução milagrosa para o aquecimento global. Pelo contrário, trata de uma questão que eu já vinha desconfiando, pela conversa com amigos e conhecidos, e que revela um ponto preocupante. As pessoas estão ficando cheias de falar do assunto. Paesar disso uma pesquisa do HSBC mostra que os brasileiros ainda estão entre os moradores de grandes países mais preocupados com o assunto.
A pesquisa (veja aqui em flash, recomendado, ou uma versão bem mais simples em PDF) procura identificar como moradores de diversos países estão reagindo a diversos tópicos, incluindo aquecimento global, mas também economia, gripe suína, terrorismo, violência, pobreza, desigualdades sociais e desastres naturais.
No Brasil o ranking do assunto mais preocupante ficou assim (entre parênteses o número global):
:: Violência na vida cotidiana: 27% (16%)
:: Pobreza mundial 20% (11%)
:: Doenças pandêmicas 15% (12%)
:: Mudança climática 13% (14%)
:: Desordem social 7% (9%)
:: Terrorismo 6% (16%)
:: Desastres naturais 6% (5%)
:: Estabilidade econômica mundial 4% (18%)
A pesquisa foi feita em 12 países. Em nenhum deles a mudança climática está no topo da preocupação das pessoas. Em geral, terrorismo e economia vem em primeiro lugar. Ou seja, parece que no inconsciente coletivo a Pirâmide de Maslow (wikipedia em espanhol) continua valendo.
Infelizmente, a pesquisa não inclui um tópico específico a respeito da fome no mundo. Um assunto que está sendo debatido à sombra das mudanças climáticas, mas que deveria estar no centro do debate, assim como está a questão energética.
Este é um tópico que tem sido discutido cada vez mais e que começa a preocupar ativistas. O risco aqui é (ou era por já estar se cristalizando) tornar o fluxo de informação estéril para boa parte da população ou porque não confia nas informações, ou porque simplesmente está cheio de ouvir falar do derretimento das calotas polares, do aumento do nível do mar e de tantas outras ameaças que por mais reais que sejam, simplesmente não são sentidas no dia-a-dia.
Além disso, a maior parte das campanhas se baseia em argumentos que exigem sacríficios (mesmo que pequenos) das pessoas. E muitas delas querem é mais conforto e não ter mais trabalho. Pode parecer absurdo, mas pensando friamente é o que ainda se vê na rotina diária, ao menos aqui no Brasil.
Ao mesmo tempo os estímulos imediatos da vida cotidiana são muito mais presentes e demandam respostas muito mais rápidas do que os objetivos urgentes, mas com resultados de longo prazo representados pelo aquecimento global.
Um paralelo para esta questão é fazer um pé-de-meia para a aposentadoria. Todo mundo sabe que é algo super-importante, mas muitas pessoas simplesmente tem necessidades mais urgentes e, por isso, vão empurrando a poupança com a barriga até que um chegam ao fatídico dia da aposentadoria e percebem que não poderão se aposentar.
Se as campanhas atuais baseadas nos riscos (pode-se ler medo) e na consciência das pessoas travou, o caso da aposentadoria indica que para as pessoas, o estímulo econômico também não ajude, a menos que ele se faça perceber no curto prazo.
Esta é mais uma pecinha no quebra cabeça para sairmos da enrascada em que nos colocamos. Mas é uma pecinha muito importante.
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Tags: aquecimento global, HSBC, mudança climática, pesquisa
Este post foi publicado terça-feira, 17 de novembro de 2009 às 19:15 e colocado na categoria Conexões, Geral, Uso da Terra. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo. Pinging não é possível neste post.
Pois é, o problema é que muito se discute e pouco se faz.
A questão das mudanças climáticas foi citada como assunto preocupante num estudo sobre os desafios das megacidades, no entanto, quando chega a hora de se definir metas de redução, como agora, todo mundo quer tirar o corpo fora.
18 de novembro de 2009 às 16:03