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out
Captura e armazenagem de carbono começa a ser testada em larga escala
Esta semana uma usina produtora de energia elétrica a carvão dos Estados Unidos começou a testar o que é visto por muitos empresários deste setor como a boia sal-vidas do carvão. Os mais exaltados dizem também que é a garantia de fornecimento de energia limpa para a humanidade. O fato é que a American Electric Power está capturando o carbono equivalente a uma usina de 20 MW da sua usina em New Haven, na Virgínia do Oeste, o coração da indústria carbonífera nos EUA e armazenando-o no subsolo.
O processo que está sendo usado foi desenvolvido pela empresa francesa Alstom e foram investidos US$ 100 milhões para montar esta planta piloto. Na fase inicial, a empresa irá injetar carbono líquido a taxa de 5 toneladas por hora em um poço a 2400 metros abaixo da superfície, abaixo de uma camada de sal.
As primeiras horas de operação da nova planta foram satisfatórias, segundo a AEP, embora a empresa tenha encontrado dificuldade em retirar água misturada ao carbono, o que acaba produzindo um ácido que pode corroer os canos da instalação. O processo de retirada do CO2 do carvão pode ser visto neste vídeo (em inglês), na página da AEP.
O carvão é considerado a fonte de energia mais suja que existe do ponto de vista do aquecimento global. Por esta razão, alguns cientistas defendem até a proibição de novas usinas de carvão. Porém, o carvão é o principal combustível para geração de eletricidade no mundo. Além disso, países como EUA, China, Rússia, Índia e Austrália possuem grandes reservas de carvão (veja as reservas por país neste arquivo de Excel (.xls) Também em inglês.).
Até agora o simples processo de separar o dióxido de carbono das emissões era um desafio técnico. Mesmo se os testes mostrarem que esta etapa foi superada de forma satisfatória, ainda pairam muitas dúvidas em relação aos riscos envolvidos com o armazenamento de dióxido de carbono em poços naturais subterrâneos. As questões levantadas vão desde o volume que pode ser armazenado com segurança até os custos deste processo, passando pela questão de vazamentos e contaminação de águas subterrâneas. Ou seja, não se sabe – até porque o homem conhece muito pouco da dinâmica do subsolo terrestre – o que é mais perigoso soltar o CO2 na atmosfera ou armazená-lo no subsolo.
De uma forma ou de outra, a humanidade terá que conviver com o carvão por muitos anos. Primeiro porque, como já foi dito, o mundo depende do carvão para eletricidade da mesma forma que depende do petróleo para o transporte. Segundo porque alguns países – China e Polônia, por exemplo – já disseram que vão continuar a usar carvão. Terceiro porque mesmo que se comece a substituir as usinas de carvão agora levará décadas para que se construa fontes renováveis e limpas de energia disponíveis para substitui-las completamente. Quarto porque o carvão é barato e isso acaba por torná-lo mais difícil de substituir. Ou seja, o carvão pode ser imundo e desagradável, mas infelizmente ainda não somos capazes de abrir mão da energia que ele fornece.
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Tags: aquecimento global, carbono, carvão, china, eficiência energética, eletricidade, EUA, meio ambiente, mudança climática, sequestro de carbono, sustentabilidade
Este post foi publicado quarta-feira, 7 de outubro de 2009 às 17:20 e colocado na categoria Geral. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo. Pinging não é possível neste post.