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O futuro da biotecnologia
Quem lê em inglês e se interessa pelo futuro da biotecnologia não deve deixar de ler a reportagem publicada na edição de 28 de setembro da revista The New Yorker. Ela é, ao mesmo tempo, um belo resumo da história da biotecnologia e dá uma ideia do seu futuro. A moral da história é: mesmo quem vive disso não sabe direito para onde a coisa vai. Mas ao contrário do que pode parecer isso é algo bom.
O assunto da biotecnologia tem várias facetas. Em algumas ele é muito polêmico, com destaque para os alimentos transgênicos. Em outras é algo que a maioria das pessoas aprova com felicidade como a questão das pesquisas com célula-tronco, ou mesmo o uso das mesma técnica usada para criar as plantas transgênicas – DNA recombinante – aplicada à saúde humana, como na produção de insulina.
A reportagem da revista vai além e mostra o que está sendo feito na biologia sintética. A criação de novas formas de vida a partir do zero. Frio na espinha. Sim, até os cientistas que estão na fronteira desta ciência concordam que é algo tremendamente poderoso. E não para por aí. Os céticos terão dificuldade de dormir ao saber que todo este poder está ao alcance de todos (ao menos todos que tem o conhecimento para lidar com os elementos desta ciência). Ficou tarde para controlar. E esta é a melhor parte da notícia, porque chegamos ao que a revista chama de “biologia de código aberto”.
Não se trata de figura de linguagem, como qualquer que um que fale inglês pode conferir no BioBricks, uma entidade sem fins lucrativos que procura distribuir gratuitamente “partes biológicas padrão” para se construir o que bem entender.
Como diz um outro pesquisador Rob Carlson – que empresta seu nome para a lei de Carlson, algo similar à lei de Moore para o crescimento da capacidade de sintetizar DNA – tudo o que você precisa é uma conexão à internet. Ele próprio cirou uma empresa na garagem de casa com pouco mais do que isso.
E não pense que as coisas ainda estão restritas aos cérebros de PhD que passaram anos dentro de um laboratório. Prova disso é a International Genetically Modified Machine (iGEM), a primeira competição do mundo para estudantes da graduação na qual o objetivo é produzir organismos geneticamente modificados.
No ano passado, 84 equipes participaram. Desde 2004 alguns dos projetos que saíram da iGEM são uma bactéria que tem cheiro de banana (batizada de Eai d’E Coli), um biodetector de arsênico – uma substância mortal para seres humanos – e uma vacina para combater a bactéria Helicobacter pylori, que causa úlceras em seres humanos. Atualmente, a vacina está sendo testada, com sucesso, em ratos.
Um dos personagens centrais da reportagem da New Yorker é a Amyris. Um empresa com sede na Califórnia que tem sua única filial no Brasil. ela pretende fazer diesel e outros combustíveis a partir do açúcar, com leveduras geneticamente modificadas.
Um dos fundadores da Amyris, Jay Keasling, é atualmente CEO do Joint Bioenergy Institute, do Departamento de Energia dos EUA. Antes de chegar lá ele foi responsável por sintetizar a artiminisina, a única droga existente capaz de combater a malária, que foi a razão de fundar a Amyris. Assim como os combustíveis, a artiminisina também é um hidrocarboneto e foi por isso que a empresa aproveitou o boom dos biocombustíveis e resolveu desenvolver microorganismos capazes de produzir hidrocarbonetos.
A artiminisa sintética deve chegar ao mercado em 2012, pelo laboratório Sanofi-Aventis. Os esforços da Amyris fizeram com que o custo de produzir a droga caísse para menos de um dólar por tratamento. O tratamento com a versão natural da artiminisina custa entre US$ 10 e US$ 20, dependendo do volume de produção.
Há riscos. Sem dúvida eles existem como reconhece um dos criadores da BioBrick. Ele afirma para a revista também existe risco quando se constrói uma ponte. Se ela cair – como tantas já caíram no mundo – ninguém deixará de construir pontes. Ele também poderia ter dito que o próprio fato de não usar a tecnologia representa um risco. Só que como o caso da artiminisina ilustra, o risco de não usar a biotecnologia é maior do que o risco de não construir uma ponte.
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Tags: alimentos, biotecnologia, Energia, renováveis, saúde, sustentabilidade, terapia gênica
Este post foi publicado sexta-feira, 2 de outubro de 2009 às 16:41 e colocado na categoria Alimentação, Bússola, Ciência e Tecnologia, Conexões, Energia, Geral, Uso da Terra. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo. Pinging não é possível neste post.