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set

Zoneamento da cana-de-açúcar equaciona expansão da cultura


O projeto de Zoneamento Agroecológico Nacional da Cana-de-açúcar (ZAE Cana) é uma iniciativa daquelas que parcem boas demais para ser verdade. O projeto encaminhado hoje ao Congresso une com rara felicidade demandas de produtores e ambientalistas. Ao mesmo tempo em que garante o aumento da área de cana para atender à crescente demanda por etanol e bioeletricidade, ele simplesmente proíbe o plantio em diversos estados. Teoricamente 81,5% do território nacional não poderão receber novas plantações. Some-se a isso as áreas que não são adequadas à cana e o porcentual sobe para 92,5% da área do país.

O projeto é o mais completo zoneamento de uma cultura agrícola feito no Brasil. Ao contrário de outros zoneamentos agrícolas ele não levou apenas em conta questões técnicas e econômicas, mas também outros quesitos como opção por áreas que não necessitam de irrigação plena e que economizam recursos como água e energia; adoção de áreas com declividade igual ou inferior a 12% que permitem a mecanização e eliminam a prática de queimadas nas áreas de expansão; estimulo à utilização de áreas degradadas ou de pastagens para implantação de novos projetos.

Em termos práticos, a situação fica assim. Atualmente, segundo a Embrapa, a cana ocupa 8,89 milhões de hectares, o que representa menos de 1% do território nacional. Caso o projeto seja aprovado no Congresso como está, a cana poderá ocupar até 7,5% da área nacional. É terreno suficiente para garantir a demanda interna e manter uma posição de destaque para o Brasil nos mercados internacionais de açúcar e etanol.

Deve-se somar à expansão da área o avanço tecnológico da cultura tanto na parte industrial quanto na agrícola. Para se ter uma idéia de como historicamente os avanços são importantes, em 1975 os canaviais brasileiros produziam em média 47 toneladas por hectare, na última safra esta valor ficou em 78 toneladas, segundo os dados oficiais do governo. Os valores são maiores ainda quando se considera a principal região produtora. A evolução não foi apenas quantitativa, mas também qualitativa. Em 1975, a tonelada de cana rendia 45 litros por toneladas, hoje são 80 litros por tonelada. Ou seja a produção de etanol praticamente triplicou quando se considera a unidade de área. Isso é fruto do melhoramento genético da cana-de-açúcar, fruto de programas voltados para o desenvolvimento de novas variedades, aliando-se características interessantes das mais de 400 variedades de cana conhecidas.

Este processo deve ser acelerado e otimizado com o uso de técnicas de biotecnologia tanto para o desenvolvimento de variedades tradicionais, quanto para a criação de variedades transgênicas. Novas variedades serão fundamentais, por exemplo, para se adequar ao corte mecanizado da cana. A maior parte das variedades usadas hoje traz características que são importantes para a cana brotar em um campo limpo e ter a menor perda possível de teor de açúcar durante a queimada. Daqui para frente, variedades de cana capazes de brotar sob a palha da colheita mecanizada – um processo que também ajuda a preservar o solo – surgirão.

Se as projeções do governo estiverem certas sobre o aumento da área plantada de cana e os resultados obtidos com o melhoramento nos últimos 30 anos se mantiverem, o Brasil deve produzir algo entre 125 bilhões e 140 bilhões de litros de etanol.

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Este post foi publicado quinta-feira, 17 de setembro de 2009 às 19:17 e colocado na categoria Energia, Geral, Uso da Terra. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo. Pinging não é possível neste post.

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