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O novo acordo de Itaipu e o custo das energias renováveis


O governo firmou um novo acordo com Itaipu que deve aumentar a despesa brasileira em cerca de US$ 240 milhões. É pouco dinheiro perto do que estava em jogo. Se dividio de forma equanime entre todos os brasileiros não chega a dois reais por pessoa por ano. Mas o assunto ainda vai dar o que falar. A oposição já começou a malhar o acordo. Mas o objetivo aqui nào é malhar o mérito do acordo, apenas mostrá-lo como exemplo real do quanto é difícil mexer nas tarifas de energia.

A obra de Itaipu é referência mundial em energia renovável. E mesmo entre as grandes hidrelétricas ela é notável. Embora o lago formado pela represa seja imenso é bem menor do que outros como o de Sobradinho, Tucuruí e mesmo de Balbina, um dos primeiros empreedimentos hidrelétricos na Amazônia, que é considerado um grande fiasco.

Mas o interessante é refletir sobre o preço. Preço será (ou melhor, já é) o grande fiel da balança em termos de investimento em fontes de energias renováveis. E como país em desenvolvimento o Brasil tem especial interesse nisso, porque dentro do modelo tarifário brasileiro existe um conceito que procura manter a tarifa o mais baixa possível. Tecnicamente é um palavrão (dois, na verdade): modicidade tarifária.

Bom, se a oposição já começou a reclamar do acordo de Itaipu, é natural imaginar que também existirá reação em função de outros aumentos. A população também reclama muito da tarifa. E, infelizmente, para grande parte da população o importante é a energia sair da parede pelo menor preço possível. Assim, o Brasil deve aproveitar apenas as fontes renováveis que naturalmente lhe ocorrem como a já bastante aproveitada energia hidráulica. Temos um potencial eólico imenso para nào falar do potencial do sol e, em um futuro mais distante, das ondas, correntes e marés.

Todas essas opções tem um custo comparativamente maior do que nossas atuais hidrelétricas. O mesmo não se pode dizer das novas. A questão é que o limite de preço não esbarra apenas na vontade do povo querer pagar mais, como defende à oposição. Ela também esbarra no modelo tarifário que remunera mal as fontes renováveis.

Isso fará com que a matriz nacional fique um pouco mais suja, mas ainda assim muito mais limpa do que a do restante do mundo. O Brasil seria um dos países com as mais baixas taxas de emissão de gases do efeito estufa se não fosse o desmatamento.

O governo federal, contudo, pode cortar muito imposto da energia elétrica. O problema é que ai surge um outro bolso no meio do caminho. O dos governos estaduais e municipais. Estes têm na energia elétrica e nos combustíveis suas principais fontes de renda, na grande maioria dos casos.

O resumo da ópera sempre confusa do sistema elétrico brasileiro é que há muito espaço e potencial para introduzir fontes renováveis na matriz. Basta os governos terem disposição para tanto seja do tipo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve com os paraguaios, seja do tipo que a oposição tem em defender o bolso do consumidor. O que não pode é falar que é caro e esquecer que quase a metade da conta de energia de cada consumidor vai para as três esferas de governo.

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Este post foi publicado segunda-feira, 3 de agosto de 2009 às 21:40 e colocado na categoria Conexões, Energia, Geral. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.

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