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jul

O lixo inglês e o aquecimento global


O caso do lixo inglês que foi exportado para o Brasil ainda guarda muitas perguntas sem respostas. A mais intrigante é: por que as identidades das empresas envolvidas continuam a ser preservada pelas autoridades brasileiras e inglesas? Trata-se de informação relevante para a sociedade. Mas o caso é uma pequena amostra de como será cada vez mais difícil controlar as desigualdades em termos de legislação ambiental ao redor do mundo e, consequentemente, os resíduos de qualquer natureza gerados pela humanidade.

As leis inglesas permitem a exportação de lixo para reciclagem, mas proíbem o envio de material para outros países caso o destinno seja apenas a disposição em aterros. Este foi o motivo da prisão de três ingleses da cidade de Wiltshire na terça-feira que estào diretamente ligados à exportação de lixo para o Brasil.

A investigação inglesa mostra que os países desenvolvidos têm capacidade limitada para controlar o que está sendo enviado para outros países. Como, em geral, as regras para a disposição de resíduos sólidos são muito mais brandas em países em desenvolvimento, este é um prato cheio para pilantras da sujeira fazerem um bom lucro.

Como os países desenvolvidos tem controles fracos sobre o que é importado, a situação pode se tornar caótica. Isso só tende a se agravar com o tempo, uma vez que as restrições ambientais para tratamento, recolhimento e disposição de resíduos tende a ficar cada vez mais rígida.

O problema mais uma vez será fiscalizar as partes envolvidas. Lixo é algo quase impossível de monitorar. Porque as empresas perdem o controle sobre quem comprou determinado produto (e portanto o lixo que ele irá gerar pré e pós consumo). Existem exceções em alguns poucos mercados, mas a regra é essa.

Desigualdades na legislação ambiental – como certamente deve continuar a ocorrer após a conferência de Copenhaguem – serão uma brecha similar a que vemos agora com os resíduos sólidos. O limite de preço para o carbono não será dado pelo mercado dos países desenvolvidos e sim pelo menor custo de compensá-los mundo afora.

Como países como China, Índia e Brasil não aceitam limitações à emissão de carbono, nós teremos uma migração das emissões para os países em desenvolvimento, que ficará disfarçada, ou escondida mesmo, pelas vantagens econômicas que devem gerar dos dois lados.

Como diz aquele ditado, na eterna luta do rochedo com o mar, quem sofre são os mariscos. E os mariscos, neste caso, são as populações dos países em desenvolvimento que terão que conviver com um volume crescente de lixo na forma sólida, líquida e gasosa.

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Este post foi publicado sexta-feira, 24 de julho de 2009 às 11:18 e colocado na categoria Conexões, Geral, Uso da Terra. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.

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