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jul
GeopolÃtica da energia: do controle sobre os recursos para o protecionismo industrial
A crise econômica pode afetar o desenvolvimento do setor de energias renováveis, mas no aspecto polÃtico o momento atual é excelente para uma transição em curso no setor. Além de combater o aquecimento global, as fontes de energia renovável são uma possibilidade de acabar com o poder das atuais nações petrolÃferas – neste caso o Oriente Médio é o exemplo pronto e acabado. Ao menos em tese.
O problema é que na vida real a vida não é tão simples, gafanhoto. Dois fatos dessa semana ilustram bem os bastidores da polÃtica da energia limpa. O primeiro foi a proposta do Brasil permitir a quebra de patente em casos de interesse público, algo similar ao feito no mercado de medicamentos. Existe convergência de opiniões neste aspecto, mas enquanto os paÃses detentores de tecnologias falam em “transferência”, os paÃses em desenvolvimento falam em “compartilhamento”.
A diferença entre uma expressão e outra é medida em dólares. Transferência significa pagar para o grandes fabricantes implantarem as tecnologias no paÃs. Compartilhar significa se aproveitar do conhecimento e gerar uma indústria local, ou na pior das hipóteses regional.
O outro fato da semana que ilustra muito bem isso é a negociação que deve começar na quinta-feira entre Estados Unidos e China sobre acesso ao mercado de energias renováveis. A cada dia que passa a China se consolida como o paÃs que mais investe em energias renováveis. Segunda esta reportagem dos The New York Times sobre o debate, estão sendo construÃdas seis parques eólicos com capacidade superior a 10 GW no paÃs.
Porém, os chineses estão se valendo do protecionismo para garantir escala às empresas locais para posteriormente elas serem competidoras no mercado global.
Trata-se de uma mudança muito significativa do ponto geopolÃtico. Enquanto hoje em dia o acesso à energia está limitado ao local dos recursos energéticos – poços de petróleo, por exemplo –, na nova fase isso passa a ser muito menos importante, dando lugar cada vez maior à tecnologia.
No caso da energia eólica, a fonte de recursos ainda é um fator importante, porque não se pode construir parques em qualquer local. Contudo, a capacidade de geração eólica do mundo supera em muito a demanda. Assim, o acesso aos recursos é menos importante neste momento, do que é na indústria de energia tradicional. No caso da energia solar, acesso a recursos será ainda menos importante, embora sempre vá existir os locais mais interessantes do ponto de vista econômico para construir uma usina baseada na energia solar.
Assim a diferença será baseada muito mais no acesso à tecnologia do que no acesso aos recursos energéticos, inclusive porque no caso da energia solar e éolica esses são gratuitos. Como escrevemos há alguns dias, a competição no mercado de energias renováveis está muito mais acirrada entre os paÃses do que no inÃcio da era do petróleo, ou da internet, quando as empresas norte-americanas se destacaram.
Não é possÃvel afirmar que este debate polÃtico já mudou a geopolÃtica global da energia. Mas dá para afirmar sem grande margem de erro que ao menos um novo ramo da geopolÃtica da energia é uma realidade que tende a ganhar cada vez mais importância até eventualmente mudar a geopolÃtica gloabl de energia.
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Tags: brasil, china, energia solar, eólica, EUA, geopolÃtica
Este post foi publicado quarta-feira, 15 de julho de 2009 às 10:27 e colocado na categoria Ciência e Tecnologia, Energia, Geral, Uso da Terra. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.