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Exxon e SGI se juntam para desenvolver biocombustíveis de algas


Alguns vão considerar a união do capeta com o belzebu, outros vão considerar uma chance concreta de ampliar as fontes de energia disponíveis. A verdade é que a união anunciada hoje entre a ExxonMobil e a Synthetic Genomics Inc. não é uma coisa nem outra. Embora eu particularmente acredite mais na segunda hipótese do que na primeira. O fato é que a ExxonMobil, que foi a última grande petrolífera a aceitar as evidências contra o aquecimento global, se juntou com à empresa de biotecnologia SGI para desenvolver biocombustíveis a partir de algas. As algas apresentam um potencial bastante interessante, mas ainda precisam de muito gás carbônico, fótons e horas debaixo do microscópio para serem um competitor de peso no mercado de biocombustíveis.

A ExxonMobil é a maior empresa privada do mundo, dependendo do indicador que se olhe. Mas questionou até não suportar mais as evidências sobre o aquecimento da Terra e durante muito tempo disse que ninguém chegaria a lugar nenhum movido a biocombustíveis. Agora a empresa fez um grande movimento para retomar o tempo perdido em biocombustíveis, investirá US$ 600 milhões para desenvolver combustíveis a partir de algas.

A empresa que tem sede em Irving, no Texas, anunciou agora há pouco que estabeleu uma parceria com a Synthetic Genomics Inc. para desenvolver biocombustíveis a partir de algas. Para quem não conhece, a SGI é comandada por ninguém menos que Craig Venter, criador do Instituto para Pesquisa do Genoma Humano e da Expedição Oceânico Global de Amostras que coletou micróbios ao redor do mundo. A diretora da SGI para desenvolvimento de negócios é uma brasileira: Fernanda Gandara, engenheira química formada pela Mauá com MBA por Stanford. Fernanda também trabalhou na área de biocombustíveis da BP antes de trabalhar na SGI.

Segundo a ExxonMobil, metade dos mais de US$ 600 milhões serão custos internos da ExxonMobil e a outra metade deve ser investida na ExxonMobil. A engenharia genética de microorganismos abre um leque de potenciais aplicações que caso sejam bem-sucedidas (a verdade é que elas já começam a se provar viáveis como mostra o caso da Amyris no Brasil), vão alterar o setor de combustíveis ao redor do mundo.

Pelo lado positivo, as algas produzem matéria-prima para produção de biocombustíveis com índice de produtividade por área muito maior do que qualquer cultura. Mas elas dependem fundamentalmente de gás carbônico. Ou seja, elas podem acabar se tornando apenas um método para reduzir as emissões de carbono de usinas elétricas movidas a combustíveis fósseis por unidade de energia gerada. Mas o caminho à frente é longo. E da mesma forma como as algas podem se tornar a opção para bioenergia no futuro, elas também podem ser esmagadas por soluções aparentemente mais prosaicas, mas que já estão em estágio mais avançado de desenvolvimento como a dupla cana e levedura geneticamente modificada.

Com a palavra os signatários do acordo de hoje: “Enquanto trabalhos significantes e anos de pesquisa e desenvolvimento devem ser concluídos, se bem sucedido, combustíveis baseados em alga podem ajudar a atender a demanda mundial por combustíveis para transporte, enquanto reduzem as emissões de gases do efeito estufa”, afirmou o vice-presidente senior da ExxonMobil, Michael Dolan.

Segundo Craig Venter, “o desafio real para criar a próxima geração de biocombustíveis é a abilidade para produzi-lo em grandes volumes, o que irá requerer avanços significativos na ciência e na engenharia”. Para Venter, a SGI tem competências complementares para enfrentar este desafio.

Em tempo: a SGI também já copletou o sequenciamento do genoma da palmeira do dendê e do pinhão manso (jatropha).

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Este post foi publicado terça-feira, 14 de julho de 2009 às 13:16 e colocado na categoria Ciência e Tecnologia, Conexões, Energia, Geral, Uso da Terra. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.

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