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Paradoxos da sustentabilidade: usinas a carvão
O título deste post pode parecer ultrajante para muitos. Mas ao analisar com cuidado os dados sobre energia ao redor do mundo e ler um relatório produzido a partir de um evento realizado pelo MIT em março, fica claro que o carvão será essencial para o futuro do planeta. Não importa o montante de energias renováveis que seja utilizado nos próximos anos, o carvão permanecerá entre nós, provavelmente por mais tempo do que gostaríamos. Há várias razões para isso.
A primeira é que o carvão já é importante demais. Ele gera aproximadamente metade da energia elétrica dos Estados Unidos e responde por 80% das emissões do setor elétrico e 33% do total de emissões naquele país. Para piorar, os Estados Unidos têm enormes reservas de carvão, que é o combustível mais barato e mais sujo que existe.
Do outro lado do mundo, está a China. O país construiu nos últimos cinco anos usinas de carvão que somam um potência igual à capacidade instalada de geração elétrica dos EUA, algo como 1.000.000 de MW. E o ritmo de construção na China, continua acelerado porque o país também conta com enormes reservas de carvão.
Juntos EUA e China representam pelo menos 40% das emissões globais.
O problema é que além desses dois países, diversos outros usam o carvão como principal fonte de geração de energia elétrica no mundo. Os países da Europa representam mais 14% aproximadamente da energia gerada a partir do carvão. E elas continuarão a ser usadas enquanto o carvão for o combustível mais barato. Para se ter uma idéia a idade média do parque gerador de carvão dos EUA é 35 anos. Ou seja, as usinas que entraram em funcionamento nos últimoas cinco anos devem continuar a funcionar por mais 30 anos.
Não é difícil imaginar que a eficiência dessas usinas seja muito baixa, mesmo em relação a usinas a carvão tradicionais construídas hoje. E aqui é que a coisa fica muito feia. O carvão já é um combustível sujo, o mais sujo que existe. COm baixos níveis de eficiência, ele se torna ainda mais sujo.
Uma das conclusões do simpósio do MIT é que sem reduzir a emissão de carbono das usinas a carvão, os demais esforços para conter o aquecimento global são inúteis ou precisarão ser muito maiores do que se prevê para atingir os objetivos de redução necessários.
O objetivo do simpósio do MIT foi discutir formas de reduzir o conteúdo de carbono das usinas a carvão. Diversas opções foram analisadas desde o aumento da eficiente das caldeiras das usinas mais antigas até a captura e sequesto de carbono, passando pela queima combinada de carvão com biomassa e outros combustíveis de baixo carbono para reduzir a quantidade de carbono emitida por unidade de energia gerada.
Os participantes do simpósio concluíram contudo que apesar de existirem diversas opções, o esforço que está sendo feito para comerciali’za-las é inconsistente com o cronograma de combate às mudanças climáticas. Hoje, na realidade, nenhuma das opções estudas está disponível para ser usada imediatamente em larga escala.
Assim, um das principais conclusões do simpósio foi que é necessário acelerar o desenvolvimento de tecnologias para reduzir as emissões de carbono das usinas a carvão existentes.
Ou seja caso nada seja feito em relação às usinas antigas de carvão, o planeta tem controle apenas sobre 59% das emissões de gases do efeito estufa. Medidas radicais como a moratória para novas usinas seriam bem-vindas mas não têm efeito sobre as usinas em funcionamento. O ritmo de construção de fontes renováveis não consegue acompanhar o aumento da demanda.
Logo, por mais incrível (e triste) que possa parecer, o carvão é um dos elementos mais importantes na área energética para a sustentabilidade do planeta. E isso não significa acabar com ele, simplesmente porque esta não é uma opção válida.
Os documentos do simpósio do MIT podem ser obtidos nesta página.
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Tags: aquecimento global, carvão, carvão limpo, emissões, Energia, mudança climática
Este post foi publicado segunda-feira, 22 de junho de 2009 às 11:06 e colocado na categoria Ciência e Tecnologia, Conexões, Energia, Geral. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.