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jun

Boi da cara preta


O relatório do Greenpeace sobre a pecuária na Amazônia e sua importância para o desmatamento merece ser lido. Quem já visitou a parte já desmatada da Amazônia sabe que o boi é onipresente. Para quem está interado sobre o assunto, o documento traz mais informações sobre como e quem se beneficia do que a ONG chamou de “Farra do Boi na Amazônia”.

O relatório já começa a render frutos. O braço financeiro do Banco Mundial e os maiores varejistas do Brasil já se comprometeram a mudar as práticas em relação a compra de produtos bovinos das empresas citadas no relatório.
Alguns dados do Ministério da Agricultura (2005) demonstram, claramente, que o boi toma espaço da floresta. Ao invés do boi verde, que os exportadores do setor tentam vender, é o boi da cara preta. Cara preta de carvão.

O aumento do rebanho bovino na região norte foi de 130% entre 1996 e 2005. Porém quando se analisa o tamanho do rebanho bovino nos estados mais afetados pelo arco do desmatamento (Pará, Rondônia e Acre) os número são ainda maiores: 167%, 188% e 171%. O rebanho nesses três estados é de 31,7 milhões de cabeças. Ou seja, mais de uma cabeca por habitante de toda a região Norte. Como segundo informações do próprio Ministério da Agricultura cada cabeça precisa de mais de 1 hectare devido ao baixo índice de produtividade, estamos falando de mais de 32 milhões de hectares de floresta que foram transformados em pasto. Um valor mais realista seria algo como 35,6 milhões de hectares. Ou seja, apenas nesses três estados, o boi ocupa mais área do que a soja em todo o Brasil.

No Mato Grosso, um dos estados que mais desmata no país, o aumento do rebanho no mesmo período foi de 71%, mas foi suficiente para fazer do rebanho do estado da região Centro-Oeste o maior do Brasil, com 26,6 milhões de cabeças. Ou seja, ali se vão mais 29,6 milhões de hectares de pasto.

Em período similar (1996 a 2005), a exportação brasileira de bovinos cresceu mais do que o rebanho, em geral saindo de valor muito baixos. As vendas de carne bovina congelada cresceram 2.500%, superando 1 milhão de toneladas em 2006. A carne bovina fresca ou refrigerada registrou aumento da demanda internacional de 1.758%, para 114 mil toneladas. Mas o valor mais impressionante é a venda do chamado boi em pé, o boi que é exportado vivo. As vendas de boi vivo aumentou 4.730%, totalizando 90 mil toneladas. Em tempo, um boi vivo pesa cerca de 500kg. Ou seja, 180 mil boi embarcaram andando com parte da floresta na carne.

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Este post foi publicado segunda-feira, 15 de junho de 2009 às 14:37 e colocado na categoria Alimentação, Geral, Uso da Terra. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.

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