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Mundo precisa aumentar produção de alimentos para evitar instabilidade social
O mundo precisa aumentar a produção de alimentos se quiser evitar instabilidade social e política. O alerta foi dado pelo secretário de agricultura dos Estados Unidos, Tom Vilsack, em entrevista ao jornal Financial Times. As declarações do representante do governo americano podem ser consideradas óbvias, mas é o tipo de coisa que fica em segundo plano na pauta das grandes discussões globais. Por exemplo: “segurança alimentar e estabilidade global são atadas.”
O assunto parece ter sido resgatado das trevas pela equipe do presidente Barack Obama. Não se trata apenas de bom samaritanismo. O assunto se encaixa como uma luva na agenda geopolítica de Barack Obama, de limpar a caca deixada pelo seu antecessor e tentar mostrar que os EUA não são tão horríveis assim.
O fato é que para os líderes mundiais alimentos escassos e caros são péssimos para a imagem. Porém, não dá para dizer que a resposta para aumentar a produtividade agrícola mundial virá da horta no jardim da Casa Branca. Como mostram as fotos divulgadas pela imprensa de favelas no Rio de Janeiro ou na África, espaço livre para cultivar pequenas hortas é coisa que só rico dispõe.
O desafio não é pequeno. Atualmente o mundo produz uma quantidade de alimentos adequada para 5,5 bilhões de pessoas. Para chegar a este número fizemos um conta simples: a população mundial é de 6,5 bilhões e 1 bilhão passa fome, segundo a FAO. Em 2050, seremos nove bilhões. Ou seja, precisamos aumentar a oferta de alimentos em 64% nos próximos 40 anos. Se valesse olhar para trás, isso seria possível. Mas não é um desafio pequeno, porque no período os efeitos das mudanças climáticas devem se agravar, complicando uma situação que já é bastante complicada.
Ciência e tecnologia são fundamentais para cumprir essas metas. Capital e políticas públicas também.
Porém existem alguns nós que precisam ser desatados em todas essas áreas. Ao contrário do que possa se imaginar, ciência e tecnologia é o caminho mais tranquilo desde ferramentas mais adequadas até a biotecnologia. A coisa pega mesmo é em capital e políticas públicas, principalmente na Ásia e na África.
Sem capital, os pequenos agricultores pobres não conseguem ampliar a produção agrícola de forma significativa. Tanto porque não tem como investir em pequenas melhorias que fazem muita diferença, quanto porque os órgãos de assistência dependem de capital para auxiliá-los nesta tarefa.
Na área de políticas públicas, a questão é ainda mais complicada, porque em muitos países africanos, elas mais atrapalham do que ajudam. Neste sentido me marcou a história contada pela National Geographic (setembro de 2008) de um agricultor africano do Sahel – a faixa árida que corta toda a África abaixo do deserto do Saara –, que havia conseguido com tecnologias simples transformar um pedaço de terra ressequida em uma ilha verde. Porém, pelas leis do país (Chade, se não me engano), ele perderia a terra dele para a reforma agrária no país. Lá, os critérios de produtividade não são levados em conta. Ou seja, ninguém tem incentivo em cuidar da própria terra porque o governo pode confiscá-la.
Políticas públicas também são fundamentais para incentivar o uso de novas tecnologias. Aqui as coisas precisam andar mais rápido porque sem um sinal claro dos governos não há inovação.
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Tags: Agricultura, alimentos, biotecnologia, FAO, fome, população
Este post foi publicado terça-feira, 5 de maio de 2009 às 12:03 e colocado na categoria Alimentação, Ciência e Tecnologia, Geral, Uso da Terra. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.