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A razão do atraso no recebimento dos kits de detecção do vírus A (H1N1)


O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Gerson Penna, afirmou ontem, segunda, dia 4, que o Brasil vai receber da Organização Mundial da Saúde (OMS) até sexta-feira (8) kits de diagnóstico da nova gripe provocada pelo vírus Influenza A (H1N1). O teste específico é o único método capaz de detectar a doença em dois ou três dias, como o Blog da Terra havia informado.
Penna também informou, segundo o portal G1, que:

“até sexta-feira [os kits] estarão aqui. A OMS colocou a sequencia do gene [código genético] na internet na sexta. No sábado, mudou. Havia um erro. Isso levou o atraso na formulação dos kits”, informou Penna, sem citar a quantidade de kits que devem chegar ao Brasil.

As declarações do secretário me fazem lembrar o personagem criado pelo colunista Elio Gaspari, Eremildo, o idiota, que acredita em tudo que as autoridades falam.

No dia 29 de abril (o mesmo em que publicamos o post citado acima), entramos em contato com o Ministério da Saúde perguntando se o Brasil dispunha dos tais kits e quantos existiam em estoque. Também perguntamos à Anvisa sobre a existência de kits registrados no país. Naquela tarde recebemos a resposta de uma assessora do Ministério da Saúde assim: “Ninguém aqui sabe desses kits não”.

Na Anvisa, porém, nos informaram que existem kits registrados, mas não souberam informar se eles eram capazes de detectar o vírus A (H1N1). O fato, porém, é que as autoridades de Saúde sequer tinham atentado para os kits de detecção do vírus até aquela data, apesar da OMS ter dado o alerta em 24 de abril e o FDA ter autorizado a utilização de kits. No caso dos Estados Unidos, a FDA autorizou o uso dos testes no dia 27 de abril. Ou seja, o Brasil está pelo menos duas semanas atrasado, como alertamos no começo dessa história e indicamos a necessidade dos testes.

Ainda segundo o G1, o secretário Penna acredita que o “atraso não representará qualquer prejuízo ao país. “Nenhum prejuízo. Todos os pacientes estão sendo colocados em monitoramento ou em tratamento no caso dos suspeitos”, disse.”
Cabe a pergunta: como não há prejuízo se o país sequer sabe se temos um infectado? Pessoas portadoras do vírus podem estar sendo liberadas sem o conhecimento preciso do diagnóstico. Como o México mostra, nem todas as pessoas sucumbem ao novo vírus, mas ele pode permanecer ativo no organismo da pessoa.

A falta de diagnóstico preciso é uma – talvez a única – das razões para o Brasil usar três categorias relacionadas ao paciente da gripe suína: suspeitos, monitorados e confirmados em laboratório. O que o secretário Penna precisa explicar é por que existe a categoria suspeitos e monitorados. Afinal, os suspeitos devem ser monitorados e os monitorados são suspeitos. Dessa forma o Brasil tem, de acordo com a última autalização do Ministério da Saúde (4/5), 61 casos suspeitos (suspeitos mais monitorados) e outros 60 casos suspeitos foram descartados.

A ausência do kit também explica a demora em diagnosticar os casos. No caso dos Estados Unidos, Canadá e alguns países da Europa a confirmação está sendo feita em poucos dias. No Brasil, demora 10 dias, segundo o ministro José Gomes Temporão.

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Este post foi publicado terça-feira, 5 de maio de 2009 às 11:10 e colocado na categoria Ciência e Tecnologia, Conexões, Geral. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.

4 Respostas para “A razão do atraso no recebimento dos kits de detecção do vírus A (H1N1)”

  1. Fernanda Scavacini diz:

    Caros Alessandro e Rodrigo, há uma diferença entre pessoas que estão sendo monitoradas e casos suspeitos. Os casos de monitoramento são aqueles em que as pessoas são provenientes, há menos de dez dias, de países que possuam a circulação do vírus. Porém, não apresentam todos os sintomas da doença. Elas ficam “assistidas” por medida de segurança e para acompanhamento do quadro.

    São suspeitos os casos provenientes, há menos de dez dias, de país com a circulação do vírus, e que possuem os sintomas da doença.

    Vejam as situações que caracterizam os dois casos.

    CASOS SUSPEITOS:

    - Pessoa que apresentar febre alta de maneira repentina (acima de 38ºC)
    - Tosse, podendo estar acompanhadas de algum dos seguintes sintomas: dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, dificuldade respiratória;
    E
    - Ter apresentado sintomas até 10 dias após sair de países que reportaram
    casos pela Influenza A (H1N1);
    OU
    - Ter tido contato próximo*, nos últimos 10 dias, com uma pessoa classificada
    como caso suspeito de infecção humana pelo novo subtipo de Influenza
    A (H1N1).

    * Para o Ministério da Saúde, contato próximo é a pessoa que cuida, convive ou teve contato direto com secreções respiratórias ou fluidos corporais de um caso suspeito.

    EM MONITORAMENTO:

    - Pessoas procedentes de país(es) afetado(s), com febre não medida E tosse, podendo ou não estar acompanhada dos demais sintomas referidos na definição de caso suspeito;
    - Viajantes procedentes de voos internacionais, nos últimos 10 dias, de país(es) não
    afetado(s) E apresentando os sintomas de acordo com definição de caso suspeito.

    São considerados países afetados os países com casos confirmados e divulgados pelos governos ou pela OMS. Até a divulgação deste boletim, a OMS reconhecia a existência de casos suspeitos em 22 países: México, Estados Unidos, Canadá, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Nova Zelândia, Israel, França, Itália, El Salvador, Áustria, China (Hong-Kong), Costa Rica, Dinamarca, Holanda, Irlanda, Suíça, Colômbia, Coréia do Sul, Portugal e Guatemala.

    Sobre contatos com a nossa assessoria de comunicação, sinta-se à vontade para nos contatar sempre que tiver dúvidas. Você poderá falar com Fernanda Paula Almeida Rocha Scavacini [fernanda.rocha@saude.gov.br], para mais informações. De qualquer forma, agradecemos pelo seu interesse e nos disponibilizamos para informá-lo, sempre que houver dúvidas.

    Ministério da Saúde
    Assessoria de Comunicação

    6 de maio de 2009 às 19:42

  2. squizato diz:

    Fernanda, muito obrigado pelo esclarecimento. Mas, se entendi bem, monitorados e suspeitos podem estar contaminados. Ou seja, não muda muita coisa. O que falta, ou faltava, era informação sobre os kits de de detecção dos vírus. Sendo mais preciso: uma forma de diagnóstico rápido. E até o dia 29 de abril, quando perguntamos sobre a existência dos kits para a assessoria de comunicação do ministério, ninguém tinha ouvido falar deles por lá.

    6 de maio de 2009 às 23:09

  3. Brasil tem quatro casos de gripe suína A(H1N1) confirmados | Blog da Terra diz:

    [...] Nas próximas horas — ou próximos dias — mais casos devem ser confirmados conforme os kits de detecção forem sendo utilizados conforme comentamos aqui no Blog da Terra há dois dias. [...]

    7 de maio de 2009 às 22:24

  4. A gripe suína A(H1N1) chegou ao Brasil e agora? | Blog da Terra diz:

    [...] Os remédios recomendados para combater o A(H1N1) estão aqui. [...]

    7 de maio de 2009 às 22:43

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