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Por que tanto alarme com a gripe suína?
Uma das coisas que chamou mais atenção na atual epidemia da gripe suína – ou se preferir A (H1N1) – é o tremendo barulho feito pela mídia e pelos internautas ao redor do assunto (incluindo este blog). Trata-se de histeria, ou é apenas precaução? Por que fazer tanto barulho sobre uma doença que sequer matou tantas pessoas quanto a gripe comum?
Em poucas palavras a situação é a seguinte: se ficar o bicho pega, se correr o bicho come. Ou seja, se as autoridades não dessem o alerta sobre a gripe suína e a situação se agravasse em termos de contágio e mortandade, seriam acusadas de omissão. Ao darem o alarme, correram o risco do ridículo, de alarmar a população mundial por algo pouco importante. A segunda opção foi a escolhida. E aqui no Blog da Terra acreditamos que ela é a mais sábia, porque trata-se da via da precaução.
E a decisão parece ter sido correta porque a gripe se espalhou rapidamente, embora a taxa de mortalidade dos infectados seja bem mais baixa do que em outras epidemias recentes.
O alerta foi acionado pelo próprio governo do México. O grande sinal para a mídia e autoridades internacionais entrar de corpo e alma no assunto foi o alerta de que se tratava de um novo tipo de vírus. Existem diversos tipo de vírus da gripe. A molécula hemaglutinina está diariamente na imprensa resumida como o H, do H1N1. Existem 16 tipos dessas moléculas. Já da neuraminidase (o N) são nove tipos. O gripe da gripe aviária, por exemplo, era o H5N1.
Mas letras e números são apenas algumas das características dos vírus. Por exemplo, o vírus que causou a chamada gripe espanhola também era H1N1, mas não quer dizer que seja igual a esse. A gripe foi um das mais mortíferas pandemias da história. Matou algo entre 20 milhões e 40 milhões de pessoas ao final da I Guerra Mundial. O saldo de óbitos é, na pior das hipóteses, igual ao de vítimas da I Guerra Mundial. Outras duas pandemias de gripe menos conhecidas foram registradas no século XX. Uma no ano de 1957 e outra em 1968 e 1969. A primeira matou um milhão de pessoas, a segunda 700 mil.
Quando um microorganismo com esta capacidade de matar se dissemina pelo mundo é difícil contê-lo. Como mostra o livro de Stefan Cunha Ujvari, “A História da Humanidade Contada pelos Vírus”, alguns vírus nos acompanham desde geração passadas de hominíneos. No caso da gripe, a domesticação de animais parece ter sido o principal fator para contração de doenças de outros animais, à medida que alguns desses microorganismos passaram a contagiar não apenas os animais nos quais costumam viver – como frangos e porcos – como também outras espécies.
Com o passar do tempo, explica Ujvari no livro, surgiram mutações. Uma das razões para isso é que dois tipos diferentes de vírus infectam uma mesma célula de nosso corpo. Por exemplo, um vírus da gripe comum humana e outro de um vírus oriundo de uma galinha. O animal que se origina pode ter material genético dos dois. No caso das duas pandemias da segunda metade do século XX, o que ocorreu – de acordo com estudo de DNA – foi a mistura do material genético do vírus dos patos com o dos humanos, de forma natural.
A partir daí ninguém sabe ao certo o que pode ocorrer. Pode ser um vírus que não causa danos maiores, ou pode ser um grande perigo para a população mundial.
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Tags: alarme, gripe suína, H1N1, pânico, precaução
Este post foi publicado segunda-feira, 4 de maio de 2009 às 12:25 e colocado na categoria Ciência e Tecnologia, Conexões, Geral. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.