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As duas rotas da política do clima nos EUA


A reunião de preparação para a Conferência do Clima em Bonn revelou o quão difícil será um acerto no evento previsto para dezembro em Copenhaguem. Aparentemente, os Estados Unidos estão imobilizados até que o congresso do país tome uma decisão a respeito do que o país irá fazer para reduzir suas emissões de gases do efeito estufa.

No âmbito da política interna norte-americana parece mesmo que todo aquele impeto inicial de Barack Obama para atacar o problema diminuiu bastante, como anotou na sexta o The New York Times. A equipe de Obama reagiou de forma gélida as duas propostas de lei que foram enviadas ao congresso por políticos democratas.

A mudança de ritmo foi, obviamente, bem recebida pelo setor industrial e de energia norte-americano. Eles dizem que o problema é complexo demais para ser decidido celeremente.

Porém, o bastidor político é tão ou mais complexo do que a ciência do clima. No âmbito da política doméstica dos EUA uma proposta muito agressiva será complicada de passar no momento de crise, devido aos reflexos no preço da energia e do nível de emprego e renda.

No âmbito internacional, os norte-americanos procuram costurar algo que seja palatável para os chineses e indianos.

Mas diante deste quadro é bom ter em mente que há duas rotas para um novo marco regulatório relacionado às emissões nos EUA. A primeira é via congresso, cujo resultado seria muito mais sólido e imponente. A segunda é o ás na manga da equipe de Obama. Aqui e acolá surgiram informações de que a Agência de Proteção Ambiental (EPA, em inglês) do país pode definir uma nova legislação para a área.

Isso é o pesadelo do setor industrial e energético. Porque eles teriam que cumprir as exigências e paralelamente lutar na justiça para mudar as regras. Algo dispendioso e demorado e com baixas chances de vitória, uma vez que as decisões da Suprema Corte do país tem dado respaldo à autonomia da EPA. Com algumas restrições é verdade, como no caso recente em que a Suprema corta afirmou que a EPA não pode forçar uma empresa a adotar o melhor método para o meio ambiente sem levar em conta o aspecto econômico da questão para as empresas.

Mas quando a equipe de Obama faz suspense a respeito do papel da EPA no processo, coloca uma arma na nuca das indústrias e faz acelerar a tramitação do processo no congresso. Mesmo assim, o processo não será tão rápido quanto os ambientalistas gostariam. Também não há nenhuma garantia de que o congresso do país irá acelerar a tramitação das propostas relacionadas às mudanças climáticas com vistas à conferência de Copenhaguem.

Contudo, o quadro atual é bem diferente daquela brincadeira de mau gosto da administração de George W. Bush, que simplesmente ignorava o assunto.

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Este post foi publicado terça-feira, 14 de abril de 2009 às 10:26 e colocado na categoria Energia, Geral, Uso da Terra. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.

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