09
abr
O melhor dos cenários para a eletricidade nos EUA é um horror
Se você tem esperança de que novas tecnologias vão salvar o mundo, fique atento às novas tecnologias para galochas. Porque se depender da geração de eletricidade o cenário é de filme de terror. Ou melhor está mais para aquele péssimo Waterland, com o Kevin Costner (digamos que o negócio é uma cópia molhada e adocicada de Mad Max). O Electric Power Research Institute (Epri) divulgou um relatório que projeta as fontes primárias de energia para os EUA para 2030.
O carvão continuará a ser a principal fonte de energia responsável por 39% da eletricidade consumida no país. As fontes de baixo carbono vão avançar. Graças principalmente à energia nuclear, que responderá por 25% do total. As renováveis (excluindo hidrelétricas) vão responder por apenas 6,7%. Menos da metade da geração por carvão com captura e sequestro de carbono, que deve atingir 14% neste cenário cinza com tons rosas. Gás natural e outras fontes fósseis responderão por 9%. Hidrelétricas por 5%.
E para atingir este cenário os analistas dizem que os desafios serão imensos. Realmente. Captura e sequestro de carbono continua a ser algo tão real quanto o coelho da Páscoa. E o tempo para construção de novas usinas nucleares dificilmente é menor do que uma década. Como só restam duas para chegar a 2030, a coisa está ficando um pouco complicada, para dizer o mínimo.
Agora se a situação está feia nos EUA, imagine na China, Índia e outros países que dispõem de muito carvão e muito menos tecnologia e dinheiro do que os EUA.
Goste-se ou não, 20 anos é pouco no horizonte energético. A menos que consiga-se avançar em direção a algo muito ambicioso em termos de redução das emissões até o final do ano que vem, as coisas não vão decolar e o cenário será muito pior do que o previsto pelo Epri.
O vento depende de redes de transmissão inteligentes. A energia nuclear precisa passar por um crivo ambiental que demora três anos na melhor das hipóteses. As plantas atuais movidas a carvão farão um lobby para lá de sujo para ficarem de fora das obrigações futuras. A demanda nos EUA deve ficar estável, o que deve restringir consideravelmente o investimento em nova capacidade de geração de energia. O potencial remanescente para grandes hidrelétricas é muito pequeno. E a energia solar ainda vai precisar de muito subsídio e preço de petróleo elevado para começar a aparecer no gráfico.
No Brasilzão véio, estamos indo na contramão do mundo. Aumentando geração térmica fóssil e inundando floresta tropical. Sol e vento ainda são vistos como meros elementos de lazer. O primeiro é importante para “dar praia” e o segundo para a praia não ficar muito quente. Afinal, enquanto a praia estiver lá, somos o país do futuro. Ah claro, pelo menos teremos mais umas seis centrais nucleares. Água salgada não deve faltar. Galochas hi-tech talvez.
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Tags: 2030, aquecimento global, brasil, eletricidade, emissões, EUA, mudança climática
Este post foi publicado quinta-feira, 9 de abril de 2009 às 18:07 e colocado na categoria Ciência e Tecnologia, Energia, Geral. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.