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abr
Risco e retorno na economia e no meio ambiente
A correlação entre risco e retorno é uma das máximas do mundo econômico, particularmente do financeiro. De acordo com a teoria, quanto maior o risco do investimento, maior é o seu retorno potencial. Como a presente crise financeira mundial mostra, mesmo em mercados bem monitorados pelos seuas agentes, como o financeiro, o cálculo do risco é complicado. Menos pela matemática e mais pela dificuldade em mapear, quantificar e ponderar todos os riscos existentes.
Dificuldades à parte, esta é um das primeiras lições do mundo das finanças e um mantra de quem trabalha na área. Esta relação não se limita ao universo financeiro. Ela está presente em praticamente todos os aspectos da nossa vida. É fácil lembrar por exemplo das consequências disso em relação à saúde – quem come muita besteira tem um risco maior de ter problemas de saúde – e no consumo de bens duráveis: quanto maior a qualidade de um produto, e consequentemente seu preço, menor é o risco de substitui-lo (comprar outro) no curto prazo.
A relação risco e retorno também é fácil de ver na questão ambiental. Só que há duas diferenças essenciais entre a forma que estamos acostumados a ver a relação risco-retorno nas finanças e na área ambiental.
A primeira delas é a escala de tempo. Investimentos financeiros são feitos por prazos relativamentes curtos. Ou melhor, eles são constantemente reavaliados pelos investidores na busca de uma relação risco e retorno sempre mais favorável ao perfil do investidor. Na questão ambiental, a escala de tempo é outra, porque se está falando da escala de tempo geológica da Terra e não da nossa breve existência sobre esta bolinha azul.
A segunda distinção é que nas finanças os retornos são individuais. Cada pessoa registra o lucro ou prejuízo (deixemos a questão das ajudas às empresas em dificuldades para outra hora) a que tem direito. No máximo, paga-se um imposto sobre os ganhos. Já na área ambiental os retornos são coletivos (alguém aí já ouviu falar do aquecimento global?
).
Ou seja temos em mãos uma equação que não fecha, porque as premissas para cada um dos elementos contradiz a do outro. Em bom português é como aquela velha aula de matemática: estamos comparando laranjas com abacaxi. Não pode.
Porém a área de energia mostra que finanças e meio ambiente estão intrinsicamente associados. O setor tem um grande impacto no meio ambiente, mas também é um importante negócio não apenas para os acionistas como para a sociedade (a agricultura é outro bom exemplo disso). E como negócios, empresas de energia não computam no risco do negócio o risco ambiental geral, apenas o específico. Em outras palavras: qual é o passivo ambiental previsto em lei que se está gerando com a atividade.
Como atualmente os efeitos (retornos) coletivos de longo prazo não são computados, o atual marco regulatório para essas áreas beneficia mais quem polui mais. Ninguém está considerando no preço do petróleo ou do carvão o custo de limpeza da atmosfera do gás carbônico e demais gases do efeito estufa que a queima desses produtos geram.
O que se discute hoje é exatamente como computar esses riscos na equação econômica. Redução de emissões, negociação de créditos de carbono, imposto sobre o carbono e serviços ambientais são apenas algumas das fórmulas que estão sendo propostas e testadas para transformar o abacaxi ambiental em uma laranja suficientemente doce para ser degustada pelo cavalo que – goste-se ou não – puxa o mundo: o mercado.
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Tags: aquecimento global, Economia, meio ambiente, mudança climática, retorno, risco
Este post foi publicado sexta-feira, 3 de abril de 2009 às 09:41 e colocado na categoria Conexões, Geral, Uso da Terra. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.