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Risco e retorno na economia e no meio ambiente


A correlação entre risco e retorno é uma das máximas do mundo econômico, particularmente do financeiro. De acordo com a teoria, quanto maior o risco do investimento, maior é o seu retorno potencial. Como a presente crise financeira mundial mostra, mesmo em mercados bem monitorados pelos seuas agentes, como o financeiro, o cálculo do risco é complicado. Menos pela matemática e mais pela dificuldade em mapear, quantificar e ponderar todos os riscos existentes.

Dificuldades à parte, esta é um das primeiras lições do mundo das finanças e um mantra de quem trabalha na área. Esta relação não se limita ao universo financeiro. Ela está presente em praticamente todos os aspectos da nossa vida. É fácil lembrar por exemplo das consequências disso em relação à saúde – quem come muita besteira tem um risco maior de ter problemas de saúde – e no consumo de bens duráveis: quanto maior a qualidade de um produto, e consequentemente seu preço, menor é o risco de substitui-lo (comprar outro) no curto prazo.

A relação risco e retorno também é fácil de ver na questão ambiental. Só que há duas diferenças essenciais entre a forma que estamos acostumados a ver a relação risco-retorno nas finanças e na área ambiental.

A primeira delas é a escala de tempo. Investimentos financeiros são feitos por prazos relativamentes curtos. Ou melhor, eles são constantemente reavaliados pelos investidores na busca de uma relação risco e retorno sempre mais favorável ao perfil do investidor. Na questão ambiental, a escala de tempo é outra, porque se está falando da escala de tempo geológica da Terra e não da nossa breve existência sobre esta bolinha azul.

A segunda distinção é que nas finanças os retornos são individuais. Cada pessoa registra o lucro ou prejuízo (deixemos a questão das ajudas às empresas em dificuldades para outra hora) a que tem direito. No máximo, paga-se um imposto sobre os ganhos. Já na área ambiental os retornos são coletivos (alguém aí já ouviu falar do aquecimento global? ;-) ).

Ou seja temos em mãos uma equação que não fecha, porque as premissas para cada um dos elementos contradiz a do outro. Em bom português é como aquela velha aula de matemática: estamos comparando laranjas com abacaxi. Não pode.

Porém a área de energia mostra que finanças e meio ambiente estão intrinsicamente associados. O setor tem um grande impacto no meio ambiente, mas também é um importante negócio não apenas para os acionistas como para a sociedade (a agricultura é outro bom exemplo disso). E como negócios, empresas de energia não computam no risco do negócio o risco ambiental geral, apenas o específico. Em outras palavras: qual é o passivo ambiental previsto em lei que se está gerando com a atividade.

Como atualmente os efeitos (retornos) coletivos de longo prazo não são computados, o atual marco regulatório para essas áreas beneficia mais quem polui mais. Ninguém está considerando no preço do petróleo ou do carvão o custo de limpeza da atmosfera do gás carbônico e demais gases do efeito estufa que a queima desses produtos geram.

Esta questão do preço foi muito bem analisada – e comparada com a crise financeira – pelo articulista do The New York Times, Thomas Friedman.

O que se discute hoje é exatamente como computar esses riscos na equação econômica. Redução de emissões, negociação de créditos de carbono, imposto sobre o carbono e serviços ambientais são apenas algumas das fórmulas que estão sendo propostas e testadas para transformar o abacaxi ambiental em uma laranja suficientemente doce para ser degustada pelo cavalo que – goste-se ou não – puxa o mundo: o mercado.

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Este post foi publicado sexta-feira, 3 de abril de 2009 às 09:41 e colocado na categoria Conexões, Geral, Uso da Terra. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.

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