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FAO lança relatório sobre florestas do mundo


A FAO lançou na semana passada o relatório sob o estado das florestas do mundo, o “State of the World’s Forests”. O documento dividido em duas partes indica que a globalização tem tido influência crescente na conexão entre diferentes regiões. Contudo, a entidade alertou que algumas regiões estão mais bem preparadas do que outras para se beneficiar das oportunidades emergentes para os produtos e serviços florestais. Veja abaixo o resumo dos cenários para as principais regiões do mundo, que compõea a Parte 1 e os principais tópicos relacionados à Parte 2, sobre o futuro do setor.

África – O setor florestal africano enfrenta enormes desafios devido aos tradicionais problemas que afligem os países africanos como baixa renda, políticas públicas pouco adequadas e instituições públicas fragéis. O crescimento da população e o aumento dos preços dos alimentos e da energia apenas pioram este cenário bastante complicado.Para se beneficiar das oportunidades existentes, os países africanos irão precisar desenvolver um marco legal que fortaleça a legislação e as instituições.

Ásia e Pacífico – Nesta região de grande diversidade espera-se que as áreas de florestas aumentem nos países desenvolvidos da região e também em alguns países em desenvolvimento. Contudo, no países mais pobres o desmatamento deve aumentar, reduzindo as enormes áreas florestais nesses trritórios. As novas áreas abertas serão destinadas à agricultura, inclusive para produção de biocombustíveis. O esperado aumento da renda também irá contribuir para um aumento da demanda por madeira e produtos de madeira, o que colocará mais pressão sobre os remanescentes florestais. NO médio prazo, contudo, o aumento da renda também irá incentivar o desenvolvimento do setor de serviços ambientais.

Europa – As florestas na Europa devem continuar a crescer em virtude do marco legal bem definido, instituições fortes e à crescente preocupação ambiental. O mercado de serviços ambientias deve continuar a se desenvolver, mas os produtos de madeira devem perder competitividade em função do grau mais elevado de regulamentação da região.

América Latina e Caribe – Na América Central e no Caribe, densidades populacionais mais elevadas devem levar acelerar o processo de urbanização e, consequentemente, reduzir o dinamismo da agricultura, o que irá favorecer a recuperação de áreas florestais. Na América do Sul, contudo, o cenário é distinto. O desmantamento deve aumentar para atender à demanda por produtos agrícolas, biocombustíveis e madeira e seus produtos. O aumento da demanda por madeira e seus produtos na Ásia também irá incentivar o investimento privado em flroestas plantadas, contudo é imporavável que essas palntações sejam suficientas para compensar as elevadas taxas de desmatamento.A FAO alerta contudo que a região tem grande potencial para o desenvolvimento de serviços ambientais, em especial, captura e sequestro de carbono. Mas para aproveitar essa oportunidade será necessário fortalecer o marco legal e as instituições.

América do Norte – O setor florestal na América do Norte irá depender fundamentalmente de como a região irá reagir à crise econômica. Nos Estados Unidos e no Canadá as áreas de floresta devem continuar estáveis. Porém, o provável aumento da demanda por lenha e a venda de grandes áreas florestais por empresas do setor no Canadá podem mudar este cenário. Outro fator que pode desastabilizar as áreas florestais é desnevolvimento de tecnologias que tornem a produção de etanol celul’lsica viável. Já no México, o futuro do setor florestal dependerá da velocidade da transição da economia de uma base agrária para uma base industrial, da viabilidade econômica dos produtos florestais e do crescente interesse por serviços ambientais.

Oeste e Centro da Ásia – O setor florestal da região irá continuar sobre pressão em virtude da demanda por produtos agropecuários. O principal motivo para preservação virá da necessidade de serviços ambientiais como proteção de mananciais, preservação do solo e para evitar a desertificação em algumas áreas.

Na segunda parte do relatório, intitulada Adaptação para o Futuro, a FAO reuniu algumas das principais tendências para o setor.

Demanda – A demanda por produtos flroestais, principalmente, madeiras e produtos de madeira deve ser maior na Ásia, em virtude do aumento da população e da renda. Na base per capita, contudo, os EUA  e a Euroap continuarão a liderar o ranking. A Euroap deve registrar um grande aumento na demanda por lenha, para atender as exigências da legislação para reduzir as emissões de gases do efeito estufa, principalmente o carbono. Já os asiáticos não serão capazes de produzir o volume de madeira necessário para atender a demanda e devem aumentar as importações.

Serviços ambientais – A demanda por serviços ambientais deve aumentar em virtude do aumento da renda e das preocupações com e meio ambiente. Contudo, este avanço será desigual, uma vez que países em rápido desenvolvimento econômico tendem a se preocupar menos com o meio ambiente. Porém, a necessidade de preservação de mananciais e outros serviços ambientais como poluição do ar e do solo devem incentivar este mercado. Os três pricnipais produtos relacionados aos serviços ambientais devem ser a certificação, os mercados de carbono e o próprio pagamento por serviços ambientais.

Cenário institucional – O cenário institucional para o mercado florestal deve verificar mudanças profundas com a chegada de novos atores a este mercado. A melhoria no marco legal e o fortalecimento das instituições vão ajudar a tornar o setor menos desigual, embora isso não seja esperado para todos os países. Entre os novos atores é esperado o aumento da presença de empresas que gerenciam recursos florestais, trusts de investimento em ativos imobiliários, fundos soberanos e instituiçòes que negociam créditos de carbono.

Ciência e tecnologia – A ciência e a tecnologia irão desempenhar um papel central no setor florestal. Embora muitos países, principalemente os menos desenvolvidos, não disponham de corpo técnico, verba e instrumentos para desenvolver novas tecnologias para o setor, em outras partes do globo os avanços nesta área continuarão a ser necessários para a atender à demanda crescente. Novos campos de estudo terão um papel central no desenvolvimento tecnológico do setor. Entre esses a FAO cita a biotecnologia, nanotecnologia, e tecnologias de informação e comunicação irão contribuir para os novos avanços.

Crise econômica – A crise econômica já começou a afetar o setor florestal com o fechamento de serrarias devido à queda na demanda. A queda da demanda e o fechamento de empresas pode abrir caminho para um retrocesso no setor com o aumento das atividades de madereiras ilegais e a retração da tendência de queda da participação da agricultura no emprego e na renda. Porém, existe também um oprotunidade nesta crise que é a busca por uma rota de desenvolvimento “verde”. O setor florestal poderia se beneficiar ao gerar empregos para comunidades rurais, desenvolvimento de capital ambiental (florestas plantadas para compensação de carbono, por exemplo), uso de madeira em construções “verdes” e o desenvolvimento do mercado de energias renováveis.

Clique aqui para acessar a página onde é possível fazer o dowload da íntegra do relatório da FAO.

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Este post foi publicado quinta-feira, 26 de março de 2009 às 12:34 e colocado na categoria Ciência e Tecnologia, Energia, Geral, Uso da Terra. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.

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