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Algodão em pluma atinge menor valor em 13 anos
O algodão em pluma atingiu o menor valor de mercado no Brasil na série histórica de preços mantida pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), com início em junho de 1996. De acordo com o indicador, o valor da mercadoria caiu para R$ 1,1163 por libra-peso em 24 de março (ontem). Isso significa um queda de 1% na semana do dia 17 ao 24, levando o acumulado do mês a desvalorizar 3,14%. Leia abaixo a íntegra do comunicado do Cepea.
O mercado interno de algodão em pluma vem sendo fortemente atingindo pela crise financeira mundial. O Indicador CEPEA/ESALQ tem registrado os menores patamares em termos reais da série do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, iniciada em junho de 1996 (valores deflacionados pelo IGP-DI de fevereiro/09). Em termos nominais, o Indicador é o menor desde dezembro de 2005.
Entre 17 e 24 de março, o Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma – 8 dias para pagamento – teve queda de 1%, fechando a R$ 1,1163/lp na terça-feira, 24. No acumulado deste mês (até o dia 24) o Indicador já caiu 3,14%. De acordo com pesquisas do Cepea, os preços continuam recuando por conta da baixa demanda e da oferta por parte de produtores que necessitam “fazer caixa”.
Segundo a Secex, em janeiro/09, as exportações da pluma totalizaram 46,2 mil toneladas, 22,9% a menos que em dezembro/08 e queda de 11,7% sobre jan/08. Em fevereiro/09, 44,2 mil toneladas da pluma foram embarcadas, volume 4,3% inferior ao de janeiro/09, mas 20,7% superior ao de fevereiro/08.
As vendas externas da cadeia têxtil, que apresentaram baixas entre novembro/08 e janeiro/09, se recuperaram ligeiramente em fevereiro/09, segundo dados da Secex. No caso das importações, tanto o volume quanto o valor estiveram menores nos últimos meses (desde setembro/08), contribuindo para diminuir o déficit da cadeia. De set/08 a fev/09, o déficit da cadeia soma US$ 486,34 milhões, menor que os US$ 879,95 milhões dos seis meses anteriores (mar/08 a ago/08), mas ainda acima do observado entre set/07 e fev/08, de US$ 370,84 milhões.
Em valores, a balança comercial têxtil só é superavitária nas transações de fibras, que em fev/09 representaram 44,7% do valor das exportações totais da cadeia. Além disso, os grupos de pluma de algodão e linhas de costura (0,5% do valor das exportações têxteis brasileiras) também foram superavitários em fev/09. Já os demais grupos, como confecções, filamentos, fios, tecidos e outras manufaturas permanecem deficitários.
Agentes consultados pelo Cepea afirmam que o cenário atual não é favorável nem a vendedores nem a compradores da cadeia têxtil, visto que as margens estão baixas e/ou negativas para os diversos segmentos. Do lado agrícola, produtores precisam buscar melhor gerenciamento dos negócios e redução nos custos de produção através, por exemplo, de estratégias de compras e vendas coletivas. Paralelamente, produtores têm contado com o apoio do governo para manter a rentabilidade.
Nesse último caso, o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) anunciou ajuda ao produtor na semana passada, por meio dos leilões de Pepro – o setor já esperava por esta intervenção, visto que o apoio já havia sido anunciado no Plano Agrícola 2008/09. Se isso ocorrer, será o quarto ano-safra seguido de apoio governamental ao setor. Esses recursos visam a equilibrar a receita com o preço mínimo governamental, atualmente em R$ 1,3487/lp. Espera-se que, novamente, mais de um milhão de toneladas sejam atreladas ao Pepro para vendas nos mercados interno e externo.
Quanto às negociações da pluma, nos últimos dias, poucos compradores estiveram ativos, os quais adquiriram lotes apenas “da mão para a boca” e buscaram maiores prazos de pagamento, segundo informações do Cepea. Algumas indústrias estiveram no mercado buscando a pluma de tipos finos – 31-4 para melhor –, mas poucas obtiveram sucesso nas negociações a “preços baixos”, devido à menor disponibilidade do produto.
Comerciantes com necessidade de compra para o cumprimento de contratos antecipados também encontraram dificuldades nas negociações junto a produtores, já que parte desses agentes demonstra resistência aos preços ofertados. Esses compradores só tiveram sucesso nas negociações quando não envolviam produto com os testes de HVI.
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Tags: Agricultura, algodão, Cepea, mercado, preço
Este post foi publicado quarta-feira, 25 de março de 2009 às 16:31 e colocado na categoria Alimentação, Geral, Uso da Terra. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.