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mar
Um debate à mesa nos Estados Unidos
Quem se interessa pelos rumos da alimentação humana – como é o nosso caso – deve ler três reportagens publicadas pelo The New York Times recentemente. Sobre uma delas, nós já falamos antes, sobre o surto de salmonela nos EUA devido a problemas em uma processadora de amendoim.
O resumo da ópera é o seguinte: os produtos orgânicos ganharam muito destaque, e mercado, recentemente nos EUA, mas continuam a ser produtos de elite. O importante, afirma um das reportagens, é comer bem, dentro das possibilidades financeiras de cada família. Mas a onda de produtos saudáveis é irreversível e as empresas de toda a cadeia de distribuição estão investindo para reduzir a quantidade de produtos químicos desde a lavoura até a porta da indústria.
A discussão sobre os (péssimos) hábitos alimentares dos norte-americanos foi parar no centro da mesa depois que a primeira dama Michelle Obama resolveu fazer uma horta no jardim da Casa Branca.
O próprio time escolhido por Obama para o Departamento de Agricultura é simpático à causa da agricultura sustentável. Este é um termo capcioso porque a maioria das pessoas irá lembrar da agricultura orgânica, mas não se restringe a isso. Como sempre, uma das razões é o preço. Para se ter uma idéia do impacto econômico das mudanças de hábitos alimentares nos EUA, há sugestões para triplicar a verba para merenda escolar com o objetivo de fornecer alimentos mais saudáveis aos estudantes.
Outro ponto revelado pelas reportagens é que embora o movimento pela alimentação saudável muitas vezes tenha como alvo de ataque as grandes empresas, é praticamente certo de que neste aspecto o esforço não dará certo. Nos EUA, 25% dos orgânicos vendidos já estão nas mãos de grandes corporações e o índice sobe para 40% quando se analisa apenas os produtos orgânicos manufaturados.Além disso, algumas das empresas que embarcaram cedo neste movimento já têm fatuamento biolionário.
Também é curioso notar que nos EUA um dos objetivos iniciais de se comprar orgâncio se perdeu: o de comprar produtos locais. Isso ocorre por dois motivos, principalmente, preço e disponibilidade. Como a preocupação inicial era com a própria saúde e não a do planeta, há um grande volume de orgânicos importados que viajam distâncias enormes para chegar à mesa dos americanos. Bons exemplos são o salmão chileno e vegetais congelados chineses. Podem ser bons para a água e o solo onde são cultivados e para quem come, mas tem uma pegada ecológica que não é brincadeira.
Leia a íntegra dos textos do NYT:
Is a food revolution now in season
Eating food that’s better for you, organic or not
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Tags: Agricultura, agronegócio, EUA, orgânico
Este post foi publicado segunda-feira, 23 de março de 2009 às 12:29 e colocado na categoria Alimentação, Geral, Uso da Terra. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.