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Paradoxos da sustentabilidade: mobilidade individual
O setor de transportes em geral e os carros em particular estão entre as principais razões para o aquecimento global. Principalmente devido à queima de combustíveis fósseis, mas também em virtude de todo o impacto ambiental que a fabricação de um carro exige: da mineração (de ferro, petróleo e carvão, este último para fazer o aço) até a energia gasta nas soldas. Agora atire a primeira chave quem estiver disposto a abdicar do automóvel.
A liberdade individual, o direito de ir e vir é expressamente garantido em várias constituições, incluindo a nossa última versão de 1988. Os carros tornam este direito mas rápido e confortável. Mas vai além e expande os limites geográficos de cada motorista e sua família.
É por esta razão que pouco se fala em restringir esta liberdade. No contexto da sustentabilidade quando se fala deste problema é sempre pelo lado de aumentar a eficiência do transporte público. Basicamente, para reduzir o desconforto daqueles que precisam usá-lo todo dia, mas ficam com olhar perdido sempre que o ônibus ou trem passa em frente ao outdoor com anúncio de uma moto ou carro popular.
Globalmente, o Fusca do Itamar não colou como versão de carro popular. O mesmo não se pode dizer do Nano, o projeto da indiana Tata Motors de US$ 2,5 mil por veículo. Enquanto ambientalistas ficam alarmados com a novidade mostrada ao mundo no ano passado, poucos falam do aumento da segurança para os indianos de um carro como esse.
Fotos como essa, de um família de cinco dividindo os assentos de uma lambreta ou moto não são raridade na Índia, Paquistão e outros países da região.
Não é preciso ser um especialista em trânsito para saber que o risco de acidentes é bastante elevado em uma situação como essa. Também é comum ver situações similares aplicadas ao trabalho.
No ano passado, logo depois do anúncio mundial do Nano fiz uma entrevista comparando o etanol e a gasolina do ponto de vista da poluição urbana.
Enquanto o etanol apresenta diversas vantagens, essas já foram muito maiores no passado, quando a eficiência dos motores e os critérios ambientais era muito menores.
Mas o ponto que me chamou a atenção em uma entrevista que fiz com um técnico da Cetesb foi que alguns equipamentos para reduzir a poulição que estão presentes em todos os carros nacionais simplesmente são inviáveis para um modelo de US$ 2,5 mil.
Ou seja, o controle da qualidade do ar simplesmente nào existe para esta faixa de preço. Porém, antes de apontar o dedo para a Tata é bom lembrar que na maioria dos casos as lambretas e as motos tem um padrão ambiental ainda mais baixo (e isto é verdade também no Brasil).
Ou seja, na parte social parece haver um certo consenso de que o automóvel é a menos pior das alternativas. Seja pelo benefícios pessoais que gera a famílias e pequenas empresas, seja apenas pelo prazer de viajar. A indústria automobílista é também um importante empregador.
No terreno ambiental, a coisa é bem diferente e em países como Índia e China, de pouco vai adiantar um carro elétrico pelas razões que noss post anterior sobre os benefícios do carro elétrico mostram.
Assim, parece que existe mais um evidência que aponta o pé econômico como o fiel da balança em temas-chave para a sustentabilidade do planeta. Se é possível produzir um ebm a um preço que encontre mercado, ele será produzido.
Há dois bons paliativos para o problema da mobilidade individual que estão avançando em passos dissonantes. O primeiro é o transporte coletivo, que avança muito pouco em todas as aprtes do planeta. O segundo é aumentar os padrões ambientais e de segurança para os veículos privados. Mas isso pouco afetaria a realidade local das lambretas que vemos acima, porque na falta de opção, elas continuariam circulando.
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Tags: automóveis, emissões, Índia, mobilidade, Nano, poluição, Tata Motors
Este post foi publicado segunda-feira, 23 de março de 2009 às 16:04 e colocado na categoria Conexões, Geral. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.
