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fev

Porque precisamos de biocombustíveis


Ontem o World Watch Institute divulgou mais um relatório com avaliações e sugestões a respeito de políticas públicas para os biocombustíveis nos Estados Unidos. O etanol produzido a partir do milho é, mais uma vez o centro das atenções, ou melhor, críticas. Nessas horas é bom lembrar porque precisamos dos biocombustíveis.

De fato o etanol de milho não é uma boa alternativa do ponto de vista ambiental. A razão é simples, a quantidade líquida de energia produzida por unidade de área é pequena. Isto é a quantidade de energia que se obtém depois que se calcula toda a energia consumida é pequena.

Ou seja, o problema não são os biocombustíveis, mas as diversas formas de produzi-los. Depois de muito ler sobre o assunto, cheguei à conclusão de que o etanol de cana-de-açúcar é realmente a melhor e mais rápida maneira para reduzir às emissões do setor de transporte.

E a disponibilidade de qualquer fonte renovável deve ser levada em conta quando se avalia os impactos ambientais, sociais e econômicos das novas fontes energéticas. A principal razão para isso é que a escala dos sistemas energéticos é imensa. Logo, qualquer mudança para fazer efeito leva anos de trabalho árduo. E nós simplesmente não temos tanto tempo assim. No caso da energia elétrica existem alternativas, mas a velocidade de instalação não atende à demanda crescente do setor de transporte.

A segunda razão é preço. Os biocombustíveis, principalmente o etanol de cana, são a alternativa mais viável para os automóveis e veículos pesados. Sim, não podem competir em mercados livres com os derivados do petróleo no atual preço do barril (~US$ 35), mas são viáveis no médio prazo. Para motos de baixa cilindrada, a melhor alternativa é, provavelmente, a energia elétrica.

A terceira razão é exatemente a falta de alternativa. E aqui vale dizer que o etanol de cana ganha da gasolina em termos de eficiência energética no processo de produção. O estudo do World Watch Institute mostra que para unidade de energia que é gasta no processo de exploração e produção, apenas 0,8 unidade é gerada na forma de gasolina (já ouvi de técnicos da Petrobras que este número no Brasil fica ao redor de 2). No etanol de cana este número é de 8.

O problema com a eletricidade e o sonhado hidrogênio é que ainda estão longe de ser uma opção em larga escala. As duas principais razões para o hidrogênio são preço e desafios tecnológicos. No caso do preço, ele dependeria da instalação de outras fontes renováveis para ser realmente limpo (a outra alternativa é a reforma do gás natural que libera carbono na atmosfera). E as células a combustíveis ainda dependem de platina, um metal cuja concentração é igual ou pior do que a do carbono, sem falar do preço. Além disso, transportar e armazenar hidrogênio ainda é complicado.

No caso da energia elétrica, a questão é aumentar a geração a partir de fontes renováveis. O que vem sendo feito, mas provavelmente em velocidade menor do que seria necessário para substituir as fontes fósseis que são responsáveis por cerca de 66% da eletricidade usada no mundo (IEA, 2005). E do total de energia elétrica usada no mundo apenas 1,7% é destinada ao transporte (principalmente trens), apesar da eficiência dos motores elétricos ser maior do que a dos a combustão interna.

Por fim, os biocombustíveis podem ser um mecanismo de geração de emprego e renda. Mas aqui  é preciso ressaltar que o setor não vai resolver os problemas do mundo, como vendem alguns. O ponto importante aqui é que como os países em desenvolvidos da zona inter-tropical são mais aptos a produzir biocombustíveis do que a maior parte dos países desenvolvidos, haveria um aumento da renda baseado em um novo setor econômico que impulsiona o setor industrial e de serviços, como a cidade de Sertãozinho não nos deixa mentir. Vale lembrar que ainda há área disponível em alguns desses países para garantir a produção alimentícia e ainda produzir combustível, mas isso não é verdade para todos.

Há, contudo, um grande porém nesta história toda. Erra quem pensa que os biocombustíveis vão substituir o petróleo. Não vão. Quem já estudou um pouco da história da energia no mundo sabe que nenhuma fonte de energia no mundo deixou de ser usada, mesmo quando surgiu outra mais interessante do ponto de vista econômico. Foi assim com o surgimento do carvão, do petróleo, do gás e da energia nuclear.

Sim, um dia o petróleo vai acabar e provavelmente bicombustíveis e energia elétrica renovável irão ocupar o espaço, mas apenas no longuíssimo prazo.

Além disso, obviamente existe à necessidade de se estabelecer critérios de sustentabilidade para os biocombustíveis. Mas isso é assunto para outro post, inclusive porque neste sentido o Brasil adotou a linha errada, ao contrário do que fez na adoção do biocombustível em si.

Os biocombustíveis podem não ser a alternativa ideal, mas é como diz aquele ditado: o ótimo é inimigo do bom.

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Este post foi publicado quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009 às 18:32 e colocado na categoria Energia, Geral. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.

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