06
fev
O preço do carbono despencou. E agora?
O preço do carbono despencou no mercado europeu. Chegou a 10 euros nesta semana, enquanto na segunda semana de janeiro o certificado era negociado a 16 euros. A queda mostra uma grave limitação do sistema de negociação de créditos de carbono previsto no protocolo de Kyoto. Neste sistema, o carbono apresenta relação direta com os preços e consumo dos combustíveis fósseis.
Algúem pode dizer que isso é bom. Sim, tem o lado positivo que torna o carbono caro quando o consumo cresce, porque os grandes consumidores precisam correr atrás de mais créditos para compensar o aumento das emissões decorrente do crescimento no consumo de combustíveis fósseis. Porém, quando o cenário é de retração e os preços caem, as empresas voltam a queimar combustíveis fósseis porque fica mais barato compensar a emissão.
Logo há um desestímulo para as fontes renováveis em um momento em que elas se encontram em situação ainda mais frágil, como todo o resto da economia.
Bom, a outra alternativa seria o imposto sobre o carbono. Neste caso, ocorre mais ou menos o oposto. Quando a economia está aquecida ele terá importância reduzida e quando ela embica para baixo ele tem um efeito fiscal negativo porque aumenta o preço das mercadorias em geral, diminuindo o dinamismo da economia.
Uma gestão ativa dos governos sobre o imposto sobre o carbono – por exemplo, reduzindo o imposto durante uma recessão – teria um efeito similar aos créditos, o que não parece ser desejável.
Duas alternativas possíveis são a adoção de um sistema misto, ou algo similar à proposta de Jim Hansen para Barack Obama.
No sistema misto, ao menos duas hipóteses gerais podem ser avaliadas. Uma onde se poderia usar os créditos para pagar os impostos. Neste caso, haveria um aumento da demanda por créditos sempre que o preços desses começassem a ficar proporcionalmente menor do que os impostos, ou sempre que um empresa encontrasse um meio eficiente de emitir novos créditos seja sozinha. Ou seja, os preços ficariam mais estáveis ao longo do tempo e haveria sempre um incentivo para a redução das emissões.
A outra seria usar os recursos do imposto sobre o carbono para financiar projetos de redução de emissão tendo como garantia os consequentes certificados de redução das emissões. Neste caso, o sistema seria parcialmente subsiado nos momento de baixa, mas o governo teria uma fonte de recursos significativa e uma garantia financeira nos projetos de apoio ao desenvolvimento de tecnologias limpas.
Este é um bom momento para os formuladores de políticas públicas e as empresas interessadas discutirem o assunto, afinal Kyoto está com os dias contados.
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Tags: aquecimento global, carbono, efeito estufa, preços, protocolo de Kyoto
Este post foi publicado sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009 às 10:41 e colocado na categoria Energia, Geral. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.