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jan
Brasil, o paraíso das energias renováveis, ficará mais sujo
O Brasil pode ser considerado um paraíso para as energias renováveis. Dispõe de um potencial hidrelétrico imenso, sol o ano todo, boa quantidade de ventos e, em um futuro mais distante, um longo litoral que pode prover uma grande quantidade de energia renovável a partir de marés e ondas. Tudo isso na teoria. Pelo Plano de Expansão Decenal de Energia Elétrica de 2008 a 2017 da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), bom mesmo é queimar carvão e óleo.
Segundo os dados constantes do site da EPE, a fonte que irá registrar o maior aumento relativo até 2017 é o óleo. Nada menos do que 427%. Em termos nominais também não é pouca coisa. Passará de uma potência instalada de 1.984 MW para 10.463MW. Óleo combustível e óleo diesel (os dois tipos de óleos mais usados em termelétricas) ocupam o segundo lugar no ranking das fontes energéticas mais poluentes. Só perdem para o carvão.
Pois o carvão vem em terceiro lugar entre os maiores aumentos relativos, com aumento de 124%, atingindo em 2017, segundo as projeções da EPE, 3.175MW.
No geral, a energia elétrica do Brasil terá uma origem mais suja. Atualmente, cerca de 86% da potência instalada no país é renovável. Em 2017 esse porcentual irá cair para algo ao redor de 77%. Para agravar a situação o consumo crescerá.
A potência instalada dependente de fontes não-renováveis – gás, óleo, carvão e nuclear – deve quase triplicar. Irá passar de 13.643 MW para 29.199MW.
Entre as renováveis, o maior aumento será registrado na biomassa, graças à expansão do etanol. A eólica irá avançar pouco e deve continuar representando menos de 1% da oferta nacional.
O argumento político usado algumas vezes por membros do governo é o seguinte: como o Brasil tem uma das matrizes mais limpas do mundo, podemos nos dar ao luxo de sujá-la um pouquinho. Isso é a mesma coisa que falar que podemos jogar fora um pouco de comida porque somos um dos maiores produtores de alimentos do mundo (pensando friamente também fazemos isso, mas é assunto para outro post).
Além disso gera pouca credibilidade um país que investe em fontes limpas no setor de transporte e em fontes sujas no setor elétrico mostra que só consegue olhar para o próprio umbigo, embore almeje ser líder global.
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Tags: carbono, carvão, diesel, Energia, EPE, fonte renovável, gás, hidrelétrica, nuclear, óleo, PDE 2008-2017
Este post foi publicado terça-feira, 27 de janeiro de 2009 às 16:06 e colocado na categoria Energia, Geral. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.
[...] passado mais 94 MW entraram em operação no país (o mlehor resultado da região). Mas como mostra a avaliação que fizemos do PDE, os ventos não sopram a favor da energia eólica, apesar do potencial do país ser calculado em [...]
4 de fevereiro de 2009 às 15:49