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jan
Meio ambiente e crise econômica
Crise e meio ambiente são tão indissociáveis quanto cinema e pipoca. No Brasil, infelizmente, as crises econômicas começam a ser retratadas como algo bom para a preservação, em geral, e para a Amazônia em particular. Sim, é fato que o preço das commodities influencia a taxa de desmatamento da Amazônia. Mas por que comemor a queda de um produtor que o Brasil é um dos maiores produtores? A crise não é e nunca será solução para a maior floresta tropical do mundo. Pelo contrário.
A Amazônia precisa de desenvolvimento sustentável. Qual a receita para isso? Infelizmente não temos.
Mas problemas econômicos nunca serão parte da solução para a região, ou para qualquer outra parte sensível do ponto de vista ambiental no planeta. Comemorar os efeitos da crise sobre o bioma – como alguns órgãos de imprensa e ambientalistas fizeram diante do dado do Imazon que a taxa de desmatamento havia recuado 82% – é o mesmo que achar que morfina é a solução para um câncer. Não é. Claro que melhora a qualidade de vida do paciente, mas só momentaneamente.
Quando há uma crise, os governos, em geral, cortam os orçamentos nas áreas menos sensíveis para o curto prazo. Trata-se de questão política. Saúde, previdência, manutenção da máquina pública e emendas parlamentares (não necessariamente nesta ordem) têm prioridade sobre as áreas que deveriam criar soluções para a proteção do meio ambiente, como fiscalização e implementação de novas políticas públicas.
A energia é um bom exemplo disso no mundo todo. A crise e consequente queda do preço dos mercados derivada da explosão da bolha de especulação que levou o barril aos arredores de US$ 150 está prejudicando tremendamente as empresas que durante os anos de alta do petróleo (e todo o discurso de peak oil que o seguiu) investiram em tecnologias energéticas alternativas. Agora, até a mais competitiva delas, o etanol de cana-de-açúcar, está abrindo o bico. No caso do etanol, a falta de crédito é pior do que a queda no preço do petróleo.
Contudo, no caso das energias solar, eólica, geotérmica, entre outras renováveis tudo fica mais complicado. Muitas empresas que fizeram seus planos de negócio baseado em petróleo caro vão quebrar ou, na melhor das hipóteses, reduzir o ritmo de atividade. Para piorar, na maior parte do mundo, a busca por fontes mais baratas de energia significa queimar mais carvão para gerar eletricidade.
O fato é que entre os três pilares da sustentabilidade, o ambiental e o econômico ainda estão muito distantes. A relação entre eles é quase sempre inversa. E é por isso também que se fala tanto em colcoar preço na emissão de carbono. Não se trata apenas de coibir a emissão de gases do efeito estufa, mas de incluir na equação econômica algo que ainda não é considerado, o custo ambiental das emissões.
Outro passo importante é passar a considerar os serviços ambientais. Qualidade do ar e da água dependem fundamentalmente da preservação ambiental. Mas isso poucas vezes é levado em conta quando o patrimônio natural está em risco.
Enquanto não aparecer o(s) gênio(s) capaz(es) de criar consenso sobre isso, continuaremos a comemorar a ausência da dor, mas o planetinha continuará doente. Terrivelmente doente, porque não há nada a comemorar no dado do Imazon, porque o dado é preliminar (nesta época do ano nuvens prejudicam as imagens de satélitee, portanto, o monitoramento), o desmatamento continua e não há sinal de cura à vista.
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Tags: Amazônia, carbono, crise, emissões, Energia, Imazon, sustentabilidade
Este post foi publicado segunda-feira, 26 de janeiro de 2009 às 18:34 e colocado na categoria Energia, Geral, Uso da Terra. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.
MUITO LEGAU ESSE LINK E MUITO INTERESANTE
14 de março de 2010 às 20:01