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jan
Onde está o valor da produtividade da soja brasileira?
Do ponto de vista ambiental a soja é vista como uma temeridade. As grandes fazendas e empresas do agronegócio do Sul e do Centro-Oeste são alvos constantes de críticas de ambientalistas porque destroem habitats nativos, mas acho que há pelo menos três fatores que precisam estar sempre presentes quando falamos não só da soja, mas da produção agrícola em geral. Caso contrário a análise fica pobre.
O primeiro é a alimentação. Não apenas dos brasileiros, mas da população mundial. Se queremos que o problema do aquecimento global seja tratado globalmente, como nossos surdos berros contra a postura dos Estados Unidos, da China e dos outros não-signitários de Kyoto procuram chamar atenção, não podemos querer tratar a questão da alimentação apenas como uma questão doméstica. Ela é global e está se agravando.
Alguns países simplesmente não tem área e recursos naturais para dar conta das necessidades básicas de sua população. Assim quem tem, precisa cumprir seu papel produzindo mais do que consome. Da mesma forma que os países que emitem muito gases do efeito estufa na atmosfera devem reduzi-las. Quanto mais olho dados a respeito da agricultura ao redor do mundo mais me convenço disso.
O segundo ponto é aproveitar o potencial do país. Este é um setor que faz diferença para a economia. Sem dúvida é mal explorado, mas isso é assunto para outro texto. Claro que isso não é um manisfesto para limpar as áreas de floresta nativa e plantar soja em todo o país para salvar o mundo. O que leva ao terceiro ponto.
O terceiro ponto é a sustentabilidade. A soja, ao contrário do gado, fixa a população nas cidades. Quem já foi para o oeste do Paraná sabe disso. No Mato Grosso e Goiás idem. Porém, as grandes empresas (fazendas, trading transportadoras etc) buscam ganhos marginais nas fronteiras agrícolas. Quem já foi de carro do Paraná ao norte de Mato Grosso percebe claramente isso.
Essas empresas precisam buscar níveis elevados de sustentabilidade. Elas são parte do problema e logo devem ser parte da solução. Evitar poluição da água, preservar o solo e seguir a legislação a respeito de áreas de proteção permanentes, reserva legal e matas ciliares é o mínimo que elas devem fazer. Em primeiro lugar por um questão de responsabilidade social, em segundo por uma questão de mercado. Cedo ou tarde, isso será precificado.
Além disso, não dá para generalizar todo o agronegócio como bom ou ruim. Há os que só estão interessados em lucrar o máximo possível e há quem tenha a cabeça no lugar como mostra a parceria entre a Conservation International e a Monsanto, para conservar o oeste da Bahia e a Mata Atlântica do Nordeste. Outro exemplo interessante é o Projeto Lucas do Rio Verde Legal, da Prefeitura Municipal de Lucas do Rio Verde (MT) e da ONG internacional The Nature Conservancy (TNC), que tem como parceiros Sadia, Syngenta e Fiagril.
Feitas todas essas considerações, podemos voltar ao título do post. Os dados mundiais a respeito da produção de soja mostram que nossa produtividade não está sendo devidamente valorizada. O Brasil é o país que recebeu o menor valor em dólares pela tonelada do produto na média dos últimos dez anos entre os sete maiores produtores do mundo.Veja os valores em dólares por toneladas (sem atualização monetária) obtidos na FAO, abaixo:
Brasil – 166,50
Paraguai – 191,2
EUA – 207,9
Argentina – 225,5
Índia – 236,2
China – 285,1
Logo, não estamos dando o devido valor nem à nossa soja, nem aos nossos recursos naturais que colaboram para que tenhamos a maior produtividade do planeta.
Este blog defende que produtividade por área é parte importante da solução do problema do aquecimento global. Deve-se estimular a produtividade com tecnologias apropriadas para que haja alimento ao menos para todas as pessoas do mundo, com a menor pressão possível sobre as floresta que ainda estão de pé. Deixar de plantar não ajudará em nada.
Um bom paralelo é o carbono. Não se valoriza (ou desvaloriza) ainda determinado produto pela tamanho da pegada de carbono dele.
Também não se está se valorizando parcela da soja brasileira que só é irrigada pelas chuvas, que rende 21% a mais do que a dos Estados Unidos e 60% a mais do que a da China. Em outras palavras, a China economizaria 3,4 milhões de hectares caso tivesse a produtividade brasileira. Mas isso deveria ser valorizado como um serviço ambiental.
Para ficarmos apenas na questão do combustível, sem contar fertilizantes e outros insumos necessários à produção de soja, isso representaria uma economia de cerca de 170 milhões de litros de diesel por ano, ou 456 mil toneladas equivalentes de carbono por ano.
Para responder à pergunta do título, parte se perde na ineficiente infra-estrutura do Brasil, parte ao longo da cadeia produtora e o resto vira fumaça.
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Tags: Agricultura, Argentina, carbono, china, EUA, Índia, Paraguai, preço, produtividade, soja
Este post foi publicado sexta-feira, 16 de janeiro de 2009 às 16:35 e colocado na categoria Alimentação, Geral, Uso da Terra. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.