13
jan
Carro elétrico é bom? Movido a carvão, não!
Quando ouço toda essa conversa em torno do carro elétrico, logo tapo o nariz e boto o colete salva-vidas. Principalmente quando falam do “plug-in”, o carro que carrega na tomada. Embora os carros elétricos sejam muito mais limpos (não emitem gases enquanto rodam) e eficientes (cerca de 300% mais do que os equipados com motor a combustão interna) eles irão requerer um aumento brutal na produção de energia elétrica. É aí que mora o perigo.
Os principais aumentos de frota devem ser registrados na China e na Índia — atualmente a maior frota é a dos Estados Unidos.
Curiosamente, são os três países que mais queimam carvão para produzir eletricidade. Juntos respondem por 66% (!) da emissão global de gás carbônico feita a partir do carvão. Quer saber quanto isso representa do total das emissões de gás carbônico no mundo devido à queima de combustíveis fósseis? OK, mas senta primeiro. Nada menos do 27%. Isso mesmo, apenas queimando carvão (petróleo e gás natural usados por esses países não entram nessa conta), China, Estados Unidos e Índia são responsáveis por mais de um quarto do CO2 jogado na atmosfera. A quem interessar possa: os dados são do governo dos EUA.
Para piorar esses países devem aumentar a quantidade de carvão que devem usar para atender suas necessidades de eletricidade. Sem contar com o automóvel elétrico.
Sim, as cidades desses países ficarão com um ar mais limpo, mas a Terra fica mais suja. Me parece o oposto do pense localmente, aja globalmente. Algo como resolva localmente e dane-se o resto.
Na prática, os carros elétricos serão uma espécie de flex, que aceita todo o tipo de combustível. A grande diferença é que a decisão de qual combustível você irá usar voltará a ser das grandes empresas e não do dono do carro. Por exemplo, do ponto de vista de emissões eles seriam muito mais limpos no Brasil (por conta da hidreletricidade) e na França (graças à energia nuclear) do que nos três sugismundos do carvão.
Mas a quem interessaria o carro elétrico? Aos habitantes das cidades, à indústria automobílistica e, óbvio, às empresas que geram eletricidade.
Qual é alternativa. Bom, a melhor seria, como sugere James Hansen terminar com as usinas a carvão e adotar os elétricos — leia aqui o post completo. Se só os EUA parassem de queimar carvão a emissão mundial de CO2 cairia em 7,3%.
Mas como dificilmente o mundo poderá abrir mão das usinas a carvão no curto prazo, o negócio é:
- aumentar as fontes alternativas em velocidade máxima
- adotar os carros elétricos apenas nos locais onde o carvão não é uma grande fonte primária de eletricidade (por exemplo, nos EUA a Califórnia poderia adotá-lo, mas o resto do país ainda não)
- suprir o restante com biocombustíveis altamente eficientes, como o nosso atual etanol e as próximas gerações de biocombustíveis feitos a partir de matérias-primas e microorganismos geneticamente modificados. Esses prometem ser capazes de aumentar ainda mais a produtividade que vemos hoje no etanol de cana. Aqui vale lembrar que se o objetivo é preservar florestas, a agricultura deve ser a mais eficiente possível (desde que sustentável), pois assim produzirá o necessário em um espaço cada vez menor.
- Onde nada disso for possível – na Polônia, por exemplo, onde não há muito sol, nem vento, nem fontes geotérmicas, nem aproveitamentos hidrelétricos, mas há muuuito carvão – o melhor é usar híbridos (como o atual Prius, com gasolina da melhor qualidade).
Chega de carvão, o negócio são as fontes renováveis. Ponto final.
Em tempo 1: o carvão respondeu por 41,3% das emissões de CO2 no planeta em 2006. Desde 2000, a emissão de CO2 apartir de carvão aumentou 36%. Este aumento é maior do que o aumento acumulado entre 1980 e 2000.
Em tempo 2: a maior parte dos estudos que analisam a questão é otimista demais em relação ao setor elétrico. Um erro como mostram os dados acima. Um dos que li mostra que a redução, no pior dos cenários, seria de 163 milhões de toneladas de carbono em 2050. Interessante, só que para isso seria necessário implementar novas tecnologias para captura e seqüestro de carbono, energia nuclear e para geração elétrica a partir de biomassa.
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Tags: carro elétrico, carvão, eletricidade, sustentabilidade
Este post foi publicado terça-feira, 13 de janeiro de 2009 às 09:26 e colocado na categoria Ciência e Tecnologia, Energia, Geral. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.
[...] A questão, como escrevemos ontem, é em que países seria realmente sustentável usar carros movidos a energia elétrica? Afinal, será necessário produzir mais energia elétrica para carregá-los e boa parte dessa energia nos Estados Unidos, na China e na Índia, locais em que deve haver o maior aumento na frota de carros, é produzida queimando-se carvão — um dos grandes responsáveis pela emissão de CO2 na atmosfera do nosso planetinha azul (o texto completo sobre o tema está aqui.). [...]
14 de janeiro de 2009 às 08:44
Devemos questionar até mesmo no Brasil a sustentabilidade a que vc se refere. Um dos pontos importantes neste sentido é de verificar as projeções para a demanda por energia elétrica dos híbridos e elétricos. O processo de construção hidrelétricas segue uma lógica violenta, como toda forma de dominação do território.
14 de janeiro de 2009 às 21:35
voce poderia mandar uma planta para eu fazer o meu carro
24 de janeiro de 2009 às 20:24
Vai precisar de muito carvão pra produzir energia q abastecerão os carros elétricos…….
Afinal o Sol, o vento, as marés e etc….são movidas…A CARVÂO….
tem q ler cada coisa ……o gente atrazada
1 de fevereiro de 2009 às 15:47
Mesmo que a produçao de energia venha pela queima de carvão, ainda é 2,4 vezes menos poluente que motores à combustão. veja: http://eco4planet.uol.com.br/blog/2009/09/nao-carros-eletricos-nao-poluem-mais-que-os-carros-atuais/
13 de setembro de 2011 às 21:24