07
jan
De James Hansen para Barack Obama
James Hansen não foi o primeiro, mas talvez tenha sido a mais importante voz a alertar o mundo sobre as mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global. Em 2008, foi o 20º aniversário do depoimento deste cientista da NASA perante o Congresso norte-americano alertando publicamente sobre os perigos das mudanças climáticas.
No final de dezembro Hansen voltou à carga. Ele e a esposa publicaram uma carta aberta endereçada a Barack Obama e à futura primeira dama dos EUA, Michele.
Primeiro parênteses: Hansen publicou a carta após Obama ter anunciado alguns dos principais nomes de sua equipe que serão responsáveis pela definição de políticas públicas para combater o aquecimento global. Ele avalia os nomes como “brilhantes”, mas mesmo assim sugere ao presidente eleito dos EUA solicite um relatório à Academia Nacional de Ciências do país sobre a questão “que foi criada por Lincoln exatamente com este propósito”.
A carta é acompanhada de um texto em PDF intitulado “Conte a verdade a Barack Obama – Toda a verdade” (em inglês).
Antes de ler a verdade de Hansen, vale passar pelo principais conselhos para reverter a tendência do aquecimento global.
1. Moratória e cronograma de encerramento das atividades de todas as usinas movidas a carvão incapazes de capturar e seqüestrar o carbono. Hansen afirma que esta é uma condição sine qua non para o sucesso de políticas para conter as mudanças climáticas. Ele afirma que as “usinas a carvão são fábricas de mortes”. Essa é para aplaudir de pé.
2. Criar um imposto sobre carbono a ser cobrado nos poços de petróleo e gás natural e nas minas de carvão, assim como nos portos de importação desses produtos. Hansen diz que este dinheiro deve ser revertido completamente para as famílias, dividido igualitariamente per capita para todas as famílias residentes no país que tenham até dois filhos.
Tenho uma crítica a este modelo de Hansen, embora concorde com o imposto sobre o carbono. O valor arrecadado deveria ser, ao menos em parte, revertido para o desenvolvimento de novas tecnologias, mais precisamente para a instalação de tecnologias alternativas de geração e transmissão de energia disponíveis como energia eólica, solar (fotovoltaica e térmica), geotérmica e linhas de corrente contínua, entre outras. Essas tecnologias podem se tornar pouco competitivas mesmo com o imposto sobre o carbono e um apoio para desenvolvê-las é importante para o futuro da matriz energética mundial.
Cobrar um taxa de carbono e reverter todo esse valor para as famílias irá criar um aumento da renda que, na realidade irá reduzir a eficiência da medida, pois irá aumentar a renda e, provavelmente, o consumo das famílias.
Hansen argumenta que as famílias que reduzam sua pegada de carbono irão enriquecer enquanto as que consumirem muita energia irão ficar mais pobres. Ele também avalia que a produção local será beneficiada, reduzindo as vantagens das grandes empresas que ganham concentrando, ou terceirizando, a linha de montagem e transportando os produtos por grandes distâncias.
Há muitas variáveis que precisam ser estudadas nesse modelo e é preciso lembrar que ele pode gerar reações que diminuam a eficácia do imposto. Mas pelo menos é uma proposta inovadora que deve ser estudada com carinho.
3. Suporte para o desenvolvimento da 4ª geração de reatores nucleares que, na opinião do cientista, pode reduzir alguns dos problemas com as atuais usinas nucleares como: disposição do resíduo nuclear, mineração de materiais nucleares e uso militar dos combustível nucleares. Isso ocorre porque ao contrário das usinas atuais, a 4a geração permite uma queima mais completa do combustível, usar o material radioativo das ogivas nucleares e reaproveitar o lixo nuclear já produzido pelas usinas em funcionamento.
Hansen afirma que os resíduos da queima de carvão fizeram muito mais mal à humanidade do que todos os problemas enfrentados com as usinas nucleares construídas até agora, incluindo o acidente de Chernobyl.
Embora a humanidade não possa ainda abrir mão da energia nuclear, deve-se dar prioridade às fontes de baixa emissão de gases do efeito estufa como solar e eólica. A nuclear é uma alternativa interessante para os países que não contam com opções renováveis ou devem apresentar grande aumento no consumo. Polônia, Índia e China são três casos interessantes que, caso contrário, irão continuar baseando suas matrizes no sujo e poluente carvão.
A hidreletricidade também tem um papel a cumprir, mas os danos ambientais causados pelas barragens precisarão de estudos de impacto cada vez mais aprofundados.
Como Hansen coloca no documento “Conte a verdade a Barack Obama – Toda a verdade”, a ordem das prioridades no setor energético deve ser: 1) eficiência energética; 2) energias renováveis; 3) melhorias na rede elétrica; 4) energia nuclear; e 5) captura e sequestro de carbono.
A carta em inglês pode ser lida na íntegra neste link.
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Tags: aquecimento global, EUA, Hansen, mudança climática, Obama
Este post foi publicado quarta-feira, 7 de janeiro de 2009 às 16:14 e colocado na categoria Ciência e Tecnologia, Energia, Geral. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.
[...] O documento tem como subtítulo “Em um mundo em aquecimento” e o prefácio foi escrito por Rajendra K. Pachauri, presidente do IPCC. Ele diz: “se o mundo não agir logo e de forma adequada os impactos da mudança climática podem se mostrar extremamente danosos e superar nossa capacidade de adaptação”. De forma mais direta: ou tomamos as atitudes necesssárias já ou a raça humana corre o sério risco de ser extinta. Uma solução para o problema foi proposta por Jim Hansen, da Nasa, em uma carta aberta a Barack Obama e inclui o fechamento imediato de todas as usinas movidas a carvão – a íntegra do post está aqui. [...]
12 de janeiro de 2009 às 11:28
[...] como sugere James Hansen terminar com as usinas a carvão e adotar os elétricos — leia aqui o post completo. Se só os EUA parassem de queimar carvão a emissão mundial de CO2 cairia em [...]
13 de janeiro de 2009 às 09:26
[...] Unidos Barack Obama , é fechar as usinas de carvão incapazes de sequestrar carbono (o texto está aqui) como fica o uso do carro elétrico nos países produtores de eletricidade a [...]
14 de janeiro de 2009 às 08:45
[...] Duas alternativas possíveis são a adoção de um sistema misto, ou algo similar à proposta de Jim Hansen para Barack Obama. [...]
6 de fevereiro de 2009 às 10:41