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Seqüestro de carbono? Vamos pensar nas cinzas primeiro


A imagem de hoje do Earth Observatory, da Nasa, mostra as conseqüencias de um desastre ecológico em 22 de dezembro no estado do Tennessee, nos Estados Unidos. A primeira imagem abaixo é do final de novembro e mostra tudo normal.

earthdayash1

Já a segunda imagem (abaixo) foi feita em 22 de dezembro.

earthdayash2

A mancha negra que aparece quase no centro da imagem é o vazamento de um depósito de um resíduo da queima de carvão para geração de energia elétrica. Trata-se de um tipo de cinza que é armazena na forma líquida em lagoas de contenção. O estrago atingiu a encosta ao lado da usina e o rio Emory, que é usado para captação de água. Este resíduo é altamente tóxico porque contém arsênico, chumbo, cromo, manganês e bário. O tamanho do vazamento: 1,3 milhão de toneladas métricas.

O carvão é um ponto nevrálgico para a saúde do planeta. Ele é responsável  por nada menos que 20,4% de toda a energia consumida no mundo (IEA, 2005). Quando se analisa as fontes para produção de energia elétrica ele responde por 40,3% do total, o dobro do segundo colocado que é o gás (19,7%). E o carvão é o combustível fóssil mais poluente que existe porque é rico em carbono (que é lançado na atmosfera após a queima) e enxofre, que causa a chuva ácida. Porém, também é a fonte mais barata e abundante que existe. Os últimos prognósticos sobre geração de eletricidade mostram que sua participação na matriz energética irá aumentar mesmo em um cenário de adoção de tecnologias mais limpas.

Uma das soluções possíveis para o carvão, do ponto de vista das empresas que geram energia, é a tecnologia de captura e sequestro de carbono (CSC). É cara, ninguém ainda conseguiu comprovar que ela funciona e é segura, mas o lobby por trás dela é poderoso.

Como as fotos mostram, além da poluição atmosférica, o carvão também cria resíduos sólidos. A empresa em questão foi avisada em outurbo que havia um vazamento no depósito. Nada foi feito. Com este tipo de responsabilidade empresarial, quem irá confiar na CSC? Por outro lado, se o carvão é indispensável, o que deve ser feito para tornar a sua queima mais limpa e o depósito de seus resíduos mais seguros?

Tem se debatido pouco a questão do carvão. Pelo menos quando se compara o calor do debate desta fonte com, vamos dizer, nuclear. Mas, nos Estados Unidos o debate começa a aumentar, como mostra este filme narrado por Robert Redford (somente trailer) sobre a oposição a novas usinas movidas a carvão. O nome do filme: Combatendo Golias.

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Este post foi publicado terça-feira, 6 de janeiro de 2009 às 12:21 e colocado na categoria Energia, Geral. Você pode seguir os comentários à este post pelo RSS 2.0 feed. Você também pode deixar um comentário abaixo, ou trackback do seu próprio site.

Uma resposta para “Seqüestro de carbono? Vamos pensar nas cinzas primeiro”

  1. Tomás Zamignan Manica diz:

    Ultimamente ando vendo muito desenvolvimento e teorias de como capturar e aprisionar o CO2 nos antigos depósitos de petróleo. Máquinas complexas que mal conseguem capturar o CO2.

    Por que não capturam o CO2 pelas plantas, que crescem e mantém esse carbono em sua estrutura, na forma de madeira, e aprisionam essa madeira nos antigos depósitos de petróleo?

    Muito mais simples, econômico e quem sabe daqui uns milhões de anos, volte a haver petróleo nas atuais reservas vazias de petróleo.
    Achei que seria interessante levantar essa questão com todos.

    Abraços!

    27 de março de 2010 às 14:39

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